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As Tralhas da Alex

17
Mai19

impressionar

Alex

F4DA69A4-390D-4652-B0BD-E77A3861F29D.pngA Noite Estrelada, Vincent van Gogh

 

Impressionar. É um trabalho exaustivo e inglório. Sobretudo quando projetado nos outros. A primeira pessoa que devíamos querer impressionar somos nós próprios. Olharmos para as nossas ações e os seus respetivos resultados e enchermo-nos de orgulho porque atingimos uma determinada meta ou objetivo. Nem sempre é fácil. Vivemos numa sociedade, sobretudo depois das redes sociais se terem instalado nas nossas vidas, onde a aprovação dos outros é mais importante que a nossa vontade própria. Medem-se o número de likes para validar o nosso nível de aceitação. Vivemos assim a tentar impressionar os outros com uma vida que só existe mesmo online, convencendo-nos que este é o caminho que nos faz mais feliz.

 

Impressionar. Será um verbo a conjugar no sentido pessoal. Pessoal porque o amor próprio nos devia dar a segurança suficiente para não necessitarmos da aprovação alheia. Isto não significa que não gostemos que aqueles que nos são queridos tenham orgulho naquilo que somos e fazemos. Sabe sempre bem ouvir palavras de incentivo, seja em que capítulo for (pessoal ou profissional). Mas, não nos podemos esquecer de nós. Somos verdadeiramente especiais nas nossas caminhadas pessoais, sejam lá elas quais forem. O êxito torna-se um conceito demasiado ambíguo, pois para cada um de nós os objetivos de vida são diferentes. Para uns êxito é ter uma carreira de sucesso onde ganham muito dinheiro, para outros, êxito é ter uma família e uma vida pessoal feliz.

 

Impressionar. Trabalho de todos os dias. De nós para nós.

 

 

 
 
15
Mai19

Romeu & Julieta

Alex

 

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Não há história de amor mais clássica do que a do amor de Romeu e Julieta. Escrita por William Shakespeare no século XVI, conta a história de Romeu, filho único da família Montéquio e Julieta, filha única da família Capuleto, que acabam por se apaixonar perdidamente depois de se terem conhecido num baile de máscaras em Verona. Ambos vivem um amor juvenil e trágico que acaba por condenar as duas famílias à dor da perda de um filho.

 

São inúmeras as peças e os filmes sobre esta tragédia mas há sempre espaço para mais uma. Por isso, até 9 de Junho ainda têm oportunidade de assistir à peça ‘Romeu e Julieta’ em cena no Teatro da Trindade. Conta com a versão cénica e encenação de João Mota e junto no palco várias gerações de atores. É protagonizado por Bárbara Branco e José Condessa, a quem se juntam Carlos Paulo, Manuela Couto (no papel de ama, num registo muito forte entre o cómico e trágico!), Hugo Franco, Luis Garcia, Guilherme Filipe, Maria Ana Filipe, Eduardo Breda, Rogério Vale, Gonçalo Botelho, Miguel Sermão, Diogo Tavares, Francisco Sales e Patrícia Resende. A música original é de José Mário Branco e o cenário de António Casimiro.

 

A peça é extensa (150min com intervalo) e pesada. Confesso que esperava um texto mais leve e desconstruído. O cenário e iluminação simples contrastam com a densidade das personagens e do próprio texto. Os protagonistas da peça, Bárbara Branco e José Condessa, dois jovens atores entregam ao espectador uma performance acima da média. No geral gostei e recomendo. Porque as grandes histórias de amor merecem sempre ser lembradas.


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13
Mai19

Dar & Receber

Alex

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Sou pessoa de dar. Há muito que me conheço a satisfação que advém deste ato. Sou aquele tipo de pessoa que gosta de pensar ao detalhe o que o outro terá prazer em receber. E esta sensação torna-se ainda mais intensa quanto melhor se conhece a pessoa. Adoro demorar-me a pensar o que é que o outro gostaria de receber e fico numa excitação até ao momento de ver a reação e o impacto que um presente possa ter no outro. Esse momento enche-me de felicidade. Ver um sorriso aberto e uns olhos brilhantes é uma satisfação que tenho dificuldade em pôr por palavras.

 

Muitas vezes um presente não tem que ser algo caro que se compra na loja. Pode ser qualquer coisa que nós próprios fizemos. E, neste caso, tem ainda mais valor. Porque dedicámos muito do nosso tempo a pensá-lo e a trabalhá-lo. As coisas mais simples são as melhores a meu ver. Uma fotografia de um momento especial, um postal feito por nós, uma receita que cozinhámos porque sabemos que aquele é o prato favorito, uma festa organizada com todo o nosso carinho e empenho. Tudo isto são pequenos atos em que colocamos muito de nós. E são, por isso, tão especiais. Se há coisa que realmente me enerva são aquelas ofertas de vales ou cheques presente, que é como quem diz ‘nem-me-dei-ao-trabalho-de-pensar-num-presente-que-gostarias-de-receber-por-isso-toma-lá-20€-e-vai-escolher-o-que-te-apetecer’.

 

O verbo receber já é mais complexo de conjugar para mim. Naturalmente, mentiria se dissesse que não gosto de receber mas a verdade é que não estou tão habituada. A maior parte das vezes fico até um pouco sem jeito quando recebo alguma coisa. Mais ainda quando não estou à espera. Acho que tem a ver com a sensação de controlar a situação. Por exemplo, é mais fácil organizar um evento para outra pessoa que os meus próprios eventos ou mais facilmente despendo tempo para pensar e executar um presente para outro que um projeto para mim. Isto é bom e mau ao mesmo tempo. Mas, como diria alguém que conheço, não é defeito é feitio. Portanto, é tentar um equilíbrio de coisas. Receber é bom mas dar é dos atos mais bonitos e humildes que podem oferecer a alguém que vos é querido.

09
Mai19

Offline

Alex

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Certamente já notaram a minha ausência aqui pel'As Tralhas. Tenho-me dedicado pouco à escrita entre férias, viagens, muita HBO, organizações de eventos e uma lariginte que me deitou um pouco abaixo. Não tenho tido muito tempo de sobra entre 'coisas' e a verdade é que também não me tem apetecido escrever. E, para escrever, tenho que estar inspirada e com vontade. Portanto, o blog tem estado em segundo plano. Acreditam que até deixei passar o 1º Aniversário d'As Tralhas? Bom, mas para me redimir, prometo trazer-vos novidades fresquinhas em breve. Não desistam já de mim, ok?

25
Mar19

Escapadinha na Beira

Alex

Eram 16h quando o telefone tocou. O ecrã mostrava uma mensagem do Sr. Tralhas a dizer ‘Vamos passear. Faz uma mala para o fim de semana’. O destino era um segredo bem guardado. Mesmo com alguma insistência da minha parte não consegui arrancar-lhe nada. Lá seguimos viagem e só no caminho, depois de algumas pistas, descobri o destino. Fomos até à Beira para uma escapadinha de fim de semana. Por um caminho de terra batida debaixo de um céu estrelado chegámos ao Moinho do Maneio que fica a cerca de 8km de Penamacor. Fomos recebidos pelo Rui, proprietário desta casa de campo, que nos instalou na Casa da Pipa. Apesar dos dias primaveris já bastante quentes, à noite ainda faz frio, pelo que a lareira já acesa foi uma ótima receção. Aqui o stress fica à porta. Não há rede, não há wifi, não há redes sociais, não há televisão. Aqui só entra espaço para a calma e o sossego do campo. Tom Jobim foi a nossa escolha para companhia na primeira noite. Tocava numa daquelas aparelhagens que nos parecessem um gadget ultrapassado. Aqui voltamos à essência do estar. Simplesmente estar e desfrutar daquela imensa paz.

 

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No dia seguinte o pequeno almoço é servido na casa principal, cuidadosamente preparado pela Anabela. Como estava um dia de sol pudemos fazer a refeição no exterior na companhia dos anfitriões de quatro patas, Rambóia (que é só assim super fofinha!), Mimosa, Berry e Júnior.  O pequeno almoço é caseiro e a fruta é rainha, sobretudo as framboesas que são produzidas pelos proprietários. Após o pequeno-almoço foi tempo de explorar o espaço que se estende por cerca de 20 hectares e onde podemos encontrar a ribeira da Bazágueda, a piscina, a cama elástica para as crianças e os restantes habitantes do espaço (três burros!). Como dispúnhamos de tempo limitado fomos apenas visitar Monsanto, a aldeia mais portuguesa de Portugal mas num raio de 50/60 kms podem encontrar algumas das 12 aldeias históricas de Portugal (Monsanto, a cerca de 22km do alojamento; Idanha-a-Velha a cerca de 30km; Sortelha a cerca de 40km; Belmonte e Castelo Novo, a cerca de 50km). Regressámos ao fim da tarde para uma corrida junto ao rio e a noite foi passada à lareira. Aqui dorme-se e acorda-se cedo, quando a luz começa a entrar pelas  janelas.

 

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Soube bem desligar do rebuliço do dia-a-dia na cidade. Ficou prometido regressar a este espaço, desta vez para dormir sob o céu estrelado na Bolha, uma tenda esférica insuflada, com cama de casal situada numa escarpa com vista para a Ribeira. O sossego deste espaço e a simpatia e familiaridade da Anabela e do Rui tornaram um bocadinho mais difícil a hora de ir embora. Quando algo é feito com amor nota-se. E do sonho comum deste casal de recuperar um antigo terreno de família surgiu este maravilhoso refúgio de campo. Nós iremos certamente voltar. Recomendo!

 

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15
Mar19

O drama de fazer as malas

Alex

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É mesmo oficial. Detesto fazer malas. Adoro viajar mas ando sempre a protelar fazer a mala. Mesmo que seja apenas para um fim de semana (onde supostamente não é necessário levar muitas tralhas!) acabo sempe com alguma dificuldade em ser prática. Na maior parte das coisas na minha vida sou bastante objectiva mas, neste caso, não o consigo ser. Acho sempre que vou ficar indecisa com o que vestir e portanto tenho que levar muitas opções. E que, caso suje a roupa, preciso de alternativas. E que, não tendo bem certeza do tempo, é melhor levar o armário inteiro just in case. Enfim.. um drama. O único consolo mesmo é o facto de ir mudar de ares. Viajo daqui a umas horas e ainda não fiz mala!!!Wish me luck!!!!

11
Mar19

Leaving Neverland

Alex

 

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São assim quatro horas de documentário que dão que pensar. Cresci com as músicas de Michael Jackson e acho que é inegável a sua ‘star quality’ mas é preciso separar o artista da pessoa. Quando soube da existência do documentário fiquei com muita curiosidade em ver apesar de ter sido informada pelo Sr. Tralhas que o mesmo arrasava com a cantor, uma vez que incidia sobre o tema dos abusos sexuais, dos quais o artista já tinha sido acusado (e ilibado pelos tribunais) em 1993 e 2003. O que acontece neste documentário que podem ver na HBO Portugal é o relato da história de dois homens, Wade Robson e James Safechuck, que se cruzaram com a MJ durante a sua infância. Durante dois episódios, ambos explicam detalhadamente a sua relação com o Rei da Pop, como se conheceram, como se tornaram amigos, como começaram os alegados abusos sexuais e o porquê de só agora, dez anos depois da morte de MJ, terem vindo a público com uma versão diferente daquela que suportaram durante anos.

 

 

Wade Robson tinha cinco anos quando conheceu o seu ídolo ao vencer um concurso de dança na Austrália. Já Jimmy Safechuck, da Califórnia, não era fã da música mas contracenou com ele numa campanha publicitária da Pepsi quando tinha nove anos. A partir daí, os relatos de ambos cruzam-se em muitos pontos e as semelhanças são evidentes. Ambos descrevem um modus operandi idêntico. Michael Jackson criava uma relação de amizade com os miúdos mas também com as famílias, depois ia progressivamente separando as crianças dos pais e introduzia os atos sexuais como um segredo (mas uma coisa natural) entre este e as crianças. Fazia ainda questão de deixar claro que, caso fossem descobertos, a vida deles acabaria.

 

 

Leaving Neverland expõe apenas o lado das vítimas. O lado do acusado não está presente no documentário. Não há entrevistas da família ou dos advogados de Michael Jackson mas é difícil não acreditar nos relatos de Safechuck, atualmente com 41 anos, e Robson, de 36. Só agora que ambos foram pais é que o trauma destes homens assumiu contornos maiores e a suas fragilidades se manifestaram ao ponto de ser necessário aos dois falar e pedir ajuda especializada. Se é verdade ou não o que se passou entre MJ e estas crianças, só os próprios saberão mas, para mim, nada do que se passava era normal. Nem o facto de Michael Jackson andar sempre acompanhado de uma criança nem o facto dos pais destes miúdos permitirem um contacto tão próximo de uma criança com um homem adulto (praticamente desconhecido). Sempre ouvi dizer que temos que saber separar o homem da obra mas, neste caso em particular, ficou um bocadinho difícil. Acho que, durante os tempos, não vou conseguir ouvir as músicas do rei da pop. É isto.

06
Mar19

gostar de verdade

Alex

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"andamos sempre a perguntar o que é gostar de verdade, a tentar perceber o que é isso de amar? ou, tantas vezes, a testar diariamente se aquela é a pessoa certa para nos entregarmos. primeiro, quando somos mais novos temos a ilusão da busca da pessoa perfeita: aquela que se encaixa nos padrões idílicos que fomos construindo. já adultos, percebemos que essa coisa não existe, que perfeito mesmo é alguém que se encaixa em nós de uma forma inesperada. mas, em que de repente, tudo bate certo: a forma como ri, o toque do abraço, o cuidado nos dias, e o beijo - sempre no momento e intensidade certa. depois vamos querendo mais, alguém que nos faça maior, que nos desperte sensores desligados, que nos mostre mais do mundo, que nos faça querer ser mais completos. não pelo outro, mas por nós. é desafiante ter ao lado, não quem nos traz mais vida, mas alguém que nos motiva a ser mais na vida. 

mas, a estes ingredientes todos - racionais, sensoriais, de vivência, de prazer -, tem sempre de se somar a coisa que liga tudo isto: a paixão. porque há pessoas perfeitas, que nos despertam todos os sensores, mas em que simplesmente não acontece o clic: aquele milagre de querer o outro de uma forma louca, sem sequer perceber bem o porquê - e é delicioso não conseguir saber explicar o porquê. porque preciso do teu abraço? mais que o corpo, é sentir-te junto, colada, metade de mim.. não te sei explicar melhor. porque preciso do teu riso? porque só ele me sossega, só com ele respiro.. não te sei explicar. paixão é isso, essa coisa de não saber explicar de forma racional e inteligente. suspeita-se da causa, dos motivos, da origem, mas não há ciência que descubra a fórmula. e se calhar, a magia da coisa vem daí mesmo. porque, no dia em que alguém me souber explicar com todas as variáveis porque me gosta, aí sim, vou ficar preocupado..

sempre acreditei que a paixão era uma coisa transitória, um bocejo de descoberta, um raio de luz que aquece, mas que dura apenas um dia. para mim, o amor vinha depois, quase forma consolidada de paixão, aquela coisa que nos mantinha junto na vida. mas não. sinto hoje, que o amor é a nossa base, é a estrada, é o caminho de alcatrão, forte, duro, que aguenta a noite escura, as discussões, os afastamentos. sim, o amor dá-nos esse caminho, mas é a paixão que dá a gasolina, a energia, a força. as noites passam, mas tem de vir o sol, esse calor que não se toca, para aquecer a sério. o amor prepara-nos, segura-nos. mas é a paixão que nos desperta, que nos faz avançar. por isso, preciso de manter este estado permanente de te querer a toda a hora, de suspirar pela mensagem minutos depois de desligar, de precisar do teu abraço todos os dias, até desta coisa física de te amar o corpo, estejas junto ou longe. ou, de apenas conseguir dizer-te adeus sossegado, depois de te soltar uma gargalhada. paixão pode não ser andar sempre nas nuvens, feliz, aos pulos, de peito cheio. porque não dá sempre - mas é sempre ter a certeza de querer esse estado. de correr para lá, de ansiar por chegar lá. é viver, todos os segundos, com aquele torpor de impaciência de chegar ao outro. isso sim, é estar apaixonado. explica-se? não.. ainda bem."

JD in momentos

 

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