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As Tralhas da Alex

26
Set18

coisas de português #2

Alex

Uma situação inusitada que me aconteceu ontem ao final do dia ao sair do trabalho levou-me a escrever sobre um fenómeno laboral que acho especialmente delicioso. Na grande maioria das empresas portuguesas está enraizada a ideia de que quem sai depois do seu horário de expediente e que fica a trabalhar até tarde é que é um colaborador de excelência. Ora, suponho que deva ser eu a única pessoa (e talvez os nórdicos, vá!) a achar que tal não corresponde à verdade. As explicações para esta situação são muitas e de ordem variada. Mas, tentemos aqui elaborar uma pequena short list para que as Sras Chefias deste Portugal possam ficar elucidadas sobre o facto de existirem pessoas que, como eu, cumprem o seu horário e as suas responsabilidades e que gostam de sair a horas que lhe permitam ter vida para além do trabalho. 

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Aqui ficam então as possíveis explicações para o facto de alguns colaboradores insistirem em ficar a fazer 'horas extraordinárias':

1) colaboradores que começam efetivamente a trabalhar ao meio dia quando o deviam ter começado a fazer a partir das 09h ou do seu horário de entrada;

2) colaboradores que entre idas ao wc, cafés e cigarros fazem para aí 152.498 pausas o que contabiliza facilmente 1h de trabalho (estou a ser generosa!) desperdiçado;

3) colaboradores que não têm vida pessoal e social nenhuma para além do trabalho e que, consequentemente, entendem que os outros seres vivos também não podem ter;

4) colaboradores que passam o dia a tratar de assuntos pessoais na hora de expediente e que se lembram de finalmente começar a trabalhar na hora de saída;

5) colaboradores que fazem 3,5h de almoço e que necessitavam dessas horas dispendidas no repasto para conseguirem sair a horas normais do trabalho;

6) colaboradores que passam o dia a fazer trabalho de relações públicas por todos os departamentos da empresa e que só ao fim do dia se lembram que tinham aquele relatório urgentíssimo para preencher;

7) colaboradores que, grande parte da sua agenda diária, passa por reuniões intermináveis que podiam ter sido resolvidas num email e que, por isso, necessitam ficar a 'despachar' o trabalho mesmo urgente no final do dia.

 

A lista poderia ser ainda mais extensa mas quer-me parecer que as principais razões para a ineficiência laboral estão aqui descritas. 8h diárias de trabalho, se forem bem geridas, são mais que suficientes para se fazer o que é necessário. Ninguém está com isto a dizer que, quando o trabalho assim o exigir, não se possa ficar no escritório até mais tarde. O que quero dizer é que deve ser a excepção e não a regra. Acredito que colaboradores mais decansados e de bem com a sua vida pessoal são mais produtivos, mais eficientes, mais disponíveis e mais capazes. É através do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional que se consegue retirar o maior retorno para o nosso dia-a-dia. As Sras Chefias deste país deviam capacitar-se mais disso. O facto de querermos sair à nossa hora para ir ao voluntariado, para ir correr ou beber um copo com os amigos, para ir buscar o filho à escola ou para ir passear o cão, para ir ao ginásio ou para ir ao supermercado só faz de nós seres humanos melhores, mais equilibrados e mais capazes para desempenharmos bem as nossas funções.

 

 

10
Set18

ú·ni·co

Alex

ú·ni·co
(latim unicus, -a, -um)

adjectivo

1. Sem outro da sua espécie ou qualidade (ex.: filho único). = , SOZINHO

2. Que tem um elemento, uma unidade, um componente.

3. [Figurado]  Muito superior aos outros. = EXCEPCIONAL

4. Sem precedentes.

5. Que não se encontra facilmente.

6. Que é muito diferente dos outros. 

 

Hoje, depois de uma conversa, fiquei a pensar sobre a importância de ser único. Todos nós temos o nosso ADN, todos nós somos especiais na nossa diferença. E o mais bonito de ser único é que nessa simplicidade podemos ser o que quisermos. Não somos a pessoa A, a pessoa B ou a pessoa C. Somos bonitos na nossa essência. Temos luz própria. Altos, baixos, magros, gordos, com bom ou mau feitio, a gostar mais de sair ou a ser mais caseiros, a gostarmos mais de música clássica ou pop, com tatuagens, com piercings, com cabelo curto ou comprido, a saber viver mais sós ou mais acompanhados, a gostar de ler, escrever ou tocar música, mais teimosos, mais simpáticos, mais extrovertidos ou mais calados. Somos únicos com as nossas próprias características, as físicas e as emocionais. E é justamente isso que nos distingue dos demais e que nos torna verdadeiramente especiais (aos nossos olhos e aos olhos dos que gostam de nós assim).

 

A nossa unicidade não merece comparações, pese embora todos convivamos diariamente com elas quer seja no campo pessoal ou profissional. Aquele colega que cumpriu os objectivos e nós não, aquele irmão que era muito melhor aluno do que nós, ou aquelas ex-namoradas que eram muito mais tudo do que nós somos. As comparações, na maioria das vezes, magoam. E além de magoarem são injustas porque cada um nós é especial e único. E disso,  nunca nos podemos esquecer.

 

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