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As Tralhas da Alex

29
Nov18

Elogio ao Amor

Alex
O Miguel Esteves Cardoso é, possivelmente, o meu escritor contemporâneo português favorito. Hoje partilho convosco este seu texto sobre um dos meus temas preferidos, o Amor. Porque, como romântica incurável que sou, continuo a acreditar que é ele que torna a nossa vida muito mais colorida. Como o próprio afirma.. 'amor é amor' e todos merecemos um assim daqueles mesmo bons. Um amor feito de carinho e respeito mas também um amor de rebentar os botões das camisas e de nos permitir fazer as maiores loucuras só porque sim. Um amor doce e um amor louco ao mesmo tempo. Continuo a acreditar que é possível.
 

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.

Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido....Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.

A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.

E valê-la também." (Elogio ao Amor, Miguel Esteves Cardoso)

20
Nov18

Guilty as charged!

Alex

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Quem não os tem que atire a primeira pedra! Os guilty pleasures são nada mais nada menos que os nossos prazeres culpados. A grande maioria das vezes são para nós inconfessáveis, uma vez que desafiam as críticas dos que nos rodeiam. Ficamos com receio de passar vergonha e, por isso, não os confessamos a ninguém. Normalmente associamos um guilty pleasure a um prazer muito específico mas que pode ser socialmente questionável. Ainda assim, aqui me confesso. Estes são alguns dos meus guilty pleasures:

 

1. Ver o Casados à Primeira Vista. (uuuuuuhhhhh) sim, é mesmo verdade. Sigo afincadamente e como a maior parte das vezes não consigo ver no horário normal, vejo as gravações. Não sei o que adoro mais, se aquelas personagens que se candidataram à experiência sociológica na esperança que lhes encontrassem o match perfeito, ou ver a equipa de terapeutas a analisar a vida e o comportamento das personagens como se de um jogo de futebol se tratasse. Divirto-me com aquilo e acho que cumpre o seu objectivo que é nada mais do que entreter. Não sou dessas falsas moralistas que diz que nem sabe do que se trata e depois quando tentamos aprofundar o tema sabe os detalhes todos. Gosto de ver o Casados à Primeira Vista tanto como ler Dostoievski ou ir assistir a um concerto das 9 Sinfonias de Beethoven. O facto de gostar de ver não faz de mim pior pessoa. Tenho dito.

 

2. Pedir comida em vez de cozinhar. É de longe conhecido o meu amor à cozinha portanto não será de espantar que esta pequena lontra prefira ficar a procrastinar no sofá em vez de ir para a cozinha. As opções hoje são as mais variadas sobretudo desde que apareceram as Uber Eats e as Glovos da vida, pelo que já não estamos restringidos a pizzas gordurosas. Não acho graça nenhuma a estar sózinha e a ir enfiar-me na cozinha. Portanto, a vida ficou mais fácil para mim neste aspecto. Quando recebo os amigos para jantar ou o Sr. Tralhas está lá por casa, a coisa muda um bocadinho de figura e lá vou eu toda airosa atirar-me aos tachos e panelas (ainda que conte também com a ajuda da Bimby!!). Qualquer das formas continuo sem sentir grande prazer em cozinhar e sempre que posso lá chamo o Jefferson ou o Rashid para me levarem um sushi, umas empanadas ou um belo hamburguer. Shame on me.

 

3. Nunca tomar o pequeno-almoço em casa. Já foi tema aqui no blog que uma das coisas que me dá mais prazer é chegar ao escritório organizar o dia, despachar as urgências e sair para ir tomar o pequeno-almoço. Bem sei que não se deve sair de casa sem comer mas este ritual já me acompanha há anos e sabe-me pela vida. Seja no café do bairro ou no shopping, sózinha ou acompanhada, lá vou eu todas as manhãs tomar o meu galão de máquina e comer um pão de mistura. Há coisas que nunca mudam, não há?

 

4. Não resistir a uma compra online. O problema do online é que está literalmente tudo à distância de um clic. É só inserir os dados pessoais, a forma de pagamento e voilá.. estão a caminho aquelas botas que tanto queria ou aquela camisola que ainda nem tinha tido a oportunidade de ver na loja mas que é tão fofinha. A verdade é que cada vez tenho menos paciência para as confusões dos grandes centros comerciais, pelo que assim consigo evitá-las. Ainda por cima vem sempre tudo imaculado e, caso não sirva ou não goste, dá para devolver com a maior conveniência. Muitos likes nas compras online.

 

5. Comer gomas como se o mundo fosse acabar. Guilty as charged! Se abrir um pacote de gomas é para comer até ao fim. Mais do que chocolate, gosto de gomas. Não devia sequer sentir-lhes o cheiro mas pronto, como se diz na minha terra 'perdoa-se o mal que faz, pelo bem que sabe'.  E se forem então aqueles tijolos de morango não há como resistir. Não mesmo. Portanto quem quiser enviar é pedir os contactos, se faz favor!!!!

 

 

 

 

16
Nov18

o timing das coisas

Alex

Esta semana em reunião com um cliente este contava-me a sua história e de como criou a sua empresa. A dada altura disse-me: 'Sabe uma coisa Alexandra? A empresa deu o salto porque tinha a solução certa para o mercado na altura certa. É tudo uma questão de timing'. Fiquei a pensar naquilo. E não posso concordar mais. Para tudo na vida é preciso uma certa dose de sorte. É preciso apanharmos o timing certo das coisas. Podemos ser as pessoas mais trabalhadoras e esforçadas do mundo mas, se o universo não conspirar um bocadinho a nosso favor, nada feito. É assim para tudo, tanto na nossa vida pessoal como profissional.

 

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No trabalho podemos perseguir afincadamente um plano, trabalhar arduamente uma estratégia ou ter a ideia mais fantástica deste mundo que, se o timing não acompanhar, nada acontece. Também na vida pessoal o mesmo se passa. Quantas e quantas vezes desperdiçamos a oportunidade de conhecer alguém especial porque não é o tempo certo ou deixamos para amanhã aquele jantar ou café que podia ter acontecido hoje e que nos podia ter mudado o rumo da vida. Muitas vezes também deixamos que o timing nos sirva de bloqueio para não nos sentirmos pressionados a tomar um conjunto de opções, como por exemplo decidir constituir família. 

 

A sorte dá trabalho. Dá mesmo. Mas acredito que quando nos esforçamos e desejamos alguma coisa com muita vontade, o timing certo há-de chegar até nós. E pode acontecer sob muitas formas. Ou aparece aquela oportunidade profissional pelo qual tanto lutámos ou descobrimos finalmente 'a' pessoa com quem fazemos o match perfeito na altura certa. Timing, timing, timing.

 

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