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As Tralhas da Alex

25
Mar19

Escapadinha na Beira

Alex

Eram 16h quando o telefone tocou. O ecrã mostrava uma mensagem do Sr. Tralhas a dizer ‘Vamos passear. Faz uma mala para o fim de semana’. O destino era um segredo bem guardado. Mesmo com alguma insistência da minha parte não consegui arrancar-lhe nada. Lá seguimos viagem e só no caminho, depois de algumas pistas, descobri o destino. Fomos até à Beira para uma escapadinha de fim de semana. Por um caminho de terra batida debaixo de um céu estrelado chegámos ao Moinho do Maneio que fica a cerca de 8km de Penamacor. Fomos recebidos pelo Rui, proprietário desta casa de campo, que nos instalou na Casa da Pipa. Apesar dos dias primaveris já bastante quentes, à noite ainda faz frio, pelo que a lareira já acesa foi uma ótima receção. Aqui o stress fica à porta. Não há rede, não há wifi, não há redes sociais, não há televisão. Aqui só entra espaço para a calma e o sossego do campo. Tom Jobim foi a nossa escolha para companhia na primeira noite. Tocava numa daquelas aparelhagens que nos parecessem um gadget ultrapassado. Aqui voltamos à essência do estar. Simplesmente estar e desfrutar daquela imensa paz.

 

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No dia seguinte o pequeno almoço é servido na casa principal, cuidadosamente preparado pela Anabela. Como estava um dia de sol pudemos fazer a refeição no exterior na companhia dos anfitriões de quatro patas, Rambóia (que é só assim super fofinha!), Mimosa, Berry e Júnior.  O pequeno almoço é caseiro e a fruta é rainha, sobretudo as framboesas que são produzidas pelos proprietários. Após o pequeno-almoço foi tempo de explorar o espaço que se estende por cerca de 20 hectares e onde podemos encontrar a ribeira da Bazágueda, a piscina, a cama elástica para as crianças e os restantes habitantes do espaço (três burros!). Como dispúnhamos de tempo limitado fomos apenas visitar Monsanto, a aldeia mais portuguesa de Portugal mas num raio de 50/60 kms podem encontrar algumas das 12 aldeias históricas de Portugal (Monsanto, a cerca de 22km do alojamento; Idanha-a-Velha a cerca de 30km; Sortelha a cerca de 40km; Belmonte e Castelo Novo, a cerca de 50km). Regressámos ao fim da tarde para uma corrida junto ao rio e a noite foi passada à lareira. Aqui dorme-se e acorda-se cedo, quando a luz começa a entrar pelas  janelas.

 

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Soube bem desligar do rebuliço do dia-a-dia na cidade. Ficou prometido regressar a este espaço, desta vez para dormir sob o céu estrelado na Bolha, uma tenda esférica insuflada, com cama de casal situada numa escarpa com vista para a Ribeira. O sossego deste espaço e a simpatia e familiaridade da Anabela e do Rui tornaram um bocadinho mais difícil a hora de ir embora. Quando algo é feito com amor nota-se. E do sonho comum deste casal de recuperar um antigo terreno de família surgiu este maravilhoso refúgio de campo. Nós iremos certamente voltar. Recomendo!

 

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15
Mar19

O drama de fazer as malas

Alex

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É mesmo oficial. Detesto fazer malas. Adoro viajar mas ando sempre a protelar fazer a mala. Mesmo que seja apenas para um fim de semana (onde supostamente não é necessário levar muitas tralhas!) acabo sempe com alguma dificuldade em ser prática. Na maior parte das coisas na minha vida sou bastante objectiva mas, neste caso, não o consigo ser. Acho sempre que vou ficar indecisa com o que vestir e portanto tenho que levar muitas opções. E que, caso suje a roupa, preciso de alternativas. E que, não tendo bem certeza do tempo, é melhor levar o armário inteiro just in case. Enfim.. um drama. O único consolo mesmo é o facto de ir mudar de ares. Viajo daqui a umas horas e ainda não fiz mala!!!Wish me luck!!!!

11
Mar19

Leaving Neverland

Alex

 

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São assim quatro horas de documentário que dão que pensar. Cresci com as músicas de Michael Jackson e acho que é inegável a sua ‘star quality’ mas é preciso separar o artista da pessoa. Quando soube da existência do documentário fiquei com muita curiosidade em ver apesar de ter sido informada pelo Sr. Tralhas que o mesmo arrasava com a cantor, uma vez que incidia sobre o tema dos abusos sexuais, dos quais o artista já tinha sido acusado (e ilibado pelos tribunais) em 1993 e 2003. O que acontece neste documentário que podem ver na HBO Portugal é o relato da história de dois homens, Wade Robson e James Safechuck, que se cruzaram com a MJ durante a sua infância. Durante dois episódios, ambos explicam detalhadamente a sua relação com o Rei da Pop, como se conheceram, como se tornaram amigos, como começaram os alegados abusos sexuais e o porquê de só agora, dez anos depois da morte de MJ, terem vindo a público com uma versão diferente daquela que suportaram durante anos.

 

 

Wade Robson tinha cinco anos quando conheceu o seu ídolo ao vencer um concurso de dança na Austrália. Já Jimmy Safechuck, da Califórnia, não era fã da música mas contracenou com ele numa campanha publicitária da Pepsi quando tinha nove anos. A partir daí, os relatos de ambos cruzam-se em muitos pontos e as semelhanças são evidentes. Ambos descrevem um modus operandi idêntico. Michael Jackson criava uma relação de amizade com os miúdos mas também com as famílias, depois ia progressivamente separando as crianças dos pais e introduzia os atos sexuais como um segredo (mas uma coisa natural) entre este e as crianças. Fazia ainda questão de deixar claro que, caso fossem descobertos, a vida deles acabaria.

 

 

Leaving Neverland expõe apenas o lado das vítimas. O lado do acusado não está presente no documentário. Não há entrevistas da família ou dos advogados de Michael Jackson mas é difícil não acreditar nos relatos de Safechuck, atualmente com 41 anos, e Robson, de 36. Só agora que ambos foram pais é que o trauma destes homens assumiu contornos maiores e a suas fragilidades se manifestaram ao ponto de ser necessário aos dois falar e pedir ajuda especializada. Se é verdade ou não o que se passou entre MJ e estas crianças, só os próprios saberão mas, para mim, nada do que se passava era normal. Nem o facto de Michael Jackson andar sempre acompanhado de uma criança nem o facto dos pais destes miúdos permitirem um contacto tão próximo de uma criança com um homem adulto (praticamente desconhecido). Sempre ouvi dizer que temos que saber separar o homem da obra mas, neste caso em particular, ficou um bocadinho difícil. Acho que, durante os tempos, não vou conseguir ouvir as músicas do rei da pop. É isto.

06
Mar19

gostar de verdade

Alex

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"andamos sempre a perguntar o que é gostar de verdade, a tentar perceber o que é isso de amar? ou, tantas vezes, a testar diariamente se aquela é a pessoa certa para nos entregarmos. primeiro, quando somos mais novos temos a ilusão da busca da pessoa perfeita: aquela que se encaixa nos padrões idílicos que fomos construindo. já adultos, percebemos que essa coisa não existe, que perfeito mesmo é alguém que se encaixa em nós de uma forma inesperada. mas, em que de repente, tudo bate certo: a forma como ri, o toque do abraço, o cuidado nos dias, e o beijo - sempre no momento e intensidade certa. depois vamos querendo mais, alguém que nos faça maior, que nos desperte sensores desligados, que nos mostre mais do mundo, que nos faça querer ser mais completos. não pelo outro, mas por nós. é desafiante ter ao lado, não quem nos traz mais vida, mas alguém que nos motiva a ser mais na vida. 

mas, a estes ingredientes todos - racionais, sensoriais, de vivência, de prazer -, tem sempre de se somar a coisa que liga tudo isto: a paixão. porque há pessoas perfeitas, que nos despertam todos os sensores, mas em que simplesmente não acontece o clic: aquele milagre de querer o outro de uma forma louca, sem sequer perceber bem o porquê - e é delicioso não conseguir saber explicar o porquê. porque preciso do teu abraço? mais que o corpo, é sentir-te junto, colada, metade de mim.. não te sei explicar melhor. porque preciso do teu riso? porque só ele me sossega, só com ele respiro.. não te sei explicar. paixão é isso, essa coisa de não saber explicar de forma racional e inteligente. suspeita-se da causa, dos motivos, da origem, mas não há ciência que descubra a fórmula. e se calhar, a magia da coisa vem daí mesmo. porque, no dia em que alguém me souber explicar com todas as variáveis porque me gosta, aí sim, vou ficar preocupado..

sempre acreditei que a paixão era uma coisa transitória, um bocejo de descoberta, um raio de luz que aquece, mas que dura apenas um dia. para mim, o amor vinha depois, quase forma consolidada de paixão, aquela coisa que nos mantinha junto na vida. mas não. sinto hoje, que o amor é a nossa base, é a estrada, é o caminho de alcatrão, forte, duro, que aguenta a noite escura, as discussões, os afastamentos. sim, o amor dá-nos esse caminho, mas é a paixão que dá a gasolina, a energia, a força. as noites passam, mas tem de vir o sol, esse calor que não se toca, para aquecer a sério. o amor prepara-nos, segura-nos. mas é a paixão que nos desperta, que nos faz avançar. por isso, preciso de manter este estado permanente de te querer a toda a hora, de suspirar pela mensagem minutos depois de desligar, de precisar do teu abraço todos os dias, até desta coisa física de te amar o corpo, estejas junto ou longe. ou, de apenas conseguir dizer-te adeus sossegado, depois de te soltar uma gargalhada. paixão pode não ser andar sempre nas nuvens, feliz, aos pulos, de peito cheio. porque não dá sempre - mas é sempre ter a certeza de querer esse estado. de correr para lá, de ansiar por chegar lá. é viver, todos os segundos, com aquele torpor de impaciência de chegar ao outro. isso sim, é estar apaixonado. explica-se? não.. ainda bem."

JD in momentos

 

04
Mar19

O escangalhanço do Conan

Alex

 

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A expressão ‘primeiro estranha-se depois entranha-se’ já é de todos conhecida e, na minha opinião, aplica-se muito bem a todo o sururu em torno de Telemóveis, a música que Portugal irá levar à Eurovisão em Telavive. Há quem deteste e há quem adore (eu adoro!!). No nosso país, já estamos habituados a que tudo o que é diferente é mau. E, infelizmente, a memória de muitos portugueses é curta. Há dois anos atrás quando a canção de Salvador Sobral ganhou o Festival da Canção lembro-me de um monte de críticas, que não era canção de festival, que parecia uma música de crianças, que não tinha força suficiente e mimimimi. Pois bem, era definitivamente diferente e venceu. Os velhos do Restelo continuam aí e, mais uma vez, cheios de argumentos para desfilar o seu ódio pela canção de Tiago Miranda aka Conan Osíris. Tudo é argumento desde a letra ao figurino.

 

Quando saíram as músicas a concurso para o Festival o Sr. Tralhas foi o primeiro lá em casa a antecipar esta vitória. Assim que me mostrou a música também lhe antevi o potencial. É diferente. Marca por isso. E, quer queiramos quer não, ainda não estamos preparados para aceitar o que é diferente (mesmo aqueles que não se acham preconceituosos!). No entanto, se olharmos bem ao histórico de vencedores da Eurovisão tem sido a diferença a impor-se no pódio. Em 2006, os Lordi, uma banda de hard rock e heavy metal finlandesa vencem a competição com o tema Hard Rock Hallelujah. Conchita Wurst, em 2014, cantor, compositor e drag queen austríaco igual. Quem não se recorda da mulher de barba, hum? Já o ano passado vimos a israelita Netta sagrar-se vencedora com a música Toy e aquela imagem peculiar entre uma Bjork e cantora pimba.

 

Quanto aos nossos Telemóveis, cada um tem, naturalmente, direito à sua opinião mas eu acho tudo muito bom. A letra, a cenografia, a maquilhagem e o guarda-roupa. A letra tem uma mensagem profunda encapotada de algo simples. Ora reparem: “Eu parti o telemóvel/A tentar ligar para o céu/Pa’saber se eu mato a saudade/Ou quem morre sou eu” ou ainda “E se a vida ligar/Se a vida mandar mensagem/Se ela não parar/E tu não tiveres coragem de atender/Tu já sabes o que vai acontecer”. A imagem utilizada através do telemóvel que nos permite contactar alguém que já não está entre nós e a ideia de dependência que temos destes objetos está muito bem conseguida. A mistura de sonoridade entre o fado, a música cigana e o tecno também me agrada muitíssimo. O figurino, quer do cantor quer do bailarino, merecem nota máxima. A mim, Conan parece-me genuíno, com um som único e um estilo próprio. E isso tem tanto de difícil como de corajoso. O que é diferente não é necessariamente mau. Portanto espero mesmo que, em Israel, Conan escangalhe os telemóveis todos!

 

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