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As Tralhas da Alex

07
Nov19

'A vida não é uma fábrica de brinquedos'

Alex

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‘De facto, a vida não é uma coleção de frases bonitas sobre impacto, liderança, gratidão, felicidade e por aí fora. A vida é uma prática. E tudo na vida se resume a… vivê-la.’

José Crespo de Carvalho

 

A cada dia que passa multiplicam-se as frases motivacionais, os workshops e livros de auto ajuda, os blogs inteiramente dedicados à felicidade ou à gratidão, quais fórmulas mágicas para se alcançar um determinado estado de espírito. Confesso que tenho paciência zero para o assunto, neste momento. E isto não significa que nunca tenha recorrido a nada do anteriormente mencionado (quem nunca, hum??). Simplesmente já aborrecem a quantidade de frases feitas sobre aprendermos a estar gratos pelo que temos, sobre sabermos apreciar o presente (aprendendo com o passado e olhando para o futuro!!), sobre a pegada que temos que deixar no mundo, sobre o quão feliz devemos saber estar, sobre quais os melhores truques ou as 10 melhores ideias para sermos mais agradecidos e mais satisfeitos.

 

Infelizmente parece-me que não há soluções mágicas para atingirmos determinado objetivo pessoal ou profissional. Até podemos colecionar um manual de frases bonitas mas, se não nos conhecermos plenamente, não vamos conseguir ‘praticar’ a vida tal e qual como ela é. Podemos até repetir-nos vários mantras e tentar implementar algumas mudanças (o que não é necessariamente mau) mas o mais importante é viver a vida. Simplesmente. Como ela é. Com as coisas boas e más. Com os seus altos e baixos. Porque a vida tem que ser saboreada ao nosso ritmo. Costumo dizer que nestes temas, as coisas funcionam como nas dietas, isto é, a dieta que faz sentido e é equilibrada para mim pode não servir à pessoa A, B ou C. Porque cada pessoa é diferente e tem, por isso, necessidades também elas diferentes. E os caminhos e as escolhas que se fazem vão assim permitindo viver e saborear a vida.

 

No trabalho tentamos compreender e aceitar algumas coisas que (não) nos acontecem através da ajuda de frases bonitas. Sempre na expectativa que alguma coisa em nós mude. Na nossa vida particular, o mesmo acontece. Se andamos na busca incessante da felicidade ou se ainda não encontrámos aquela pessoa especial ou se ainda não nos aceitámos tal e qual como somos (nas nossas características físicas e psicológicas) tentamos encontrar resposta e, muitas vezes, até alguma espécie de apoio nos chavões que lemos e com os quais nos identificamos. Acredito que possa fazer sentido existirem mas confesso que tenho cada vez menos paciência para os ler ou ouvir. Naquele discurso meio melo dramático pontuado com frases do género: ‘vive o agora’, ‘aceita-te como és’, ‘sê grata pelo que tens’ e por aí fora. A vida, com tudo o que nos reserva, é um constante exercício e como diz um sábio Professor ‘tudo (na vida) se resume a vivê-la’.

16
Out19

Saber Esperar

Alex

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´Responder rapidamente a todas as mensagens que recebemos só atrasa o que estamos a fazer. Cada trabalhador gasta pelo menos 30% do seu dia a responder a chamadas, SMS ou emails, segundo um estudo.´

 

Há uns tempos li um artigo que dizia que a nossa capacidade de espera se reduziu bastante nos últimos dez anos desde que andamos com um telemóvel no bolso. De repente, parece que ficámos escravos deste pequeno dispositivo sendo ele que dita as regras do nosso tempo. A dependência que dele temos hoje faz com que este desempenhe um papel que não deveria ter no nosso dia a dia. Se é verdade que nos facilita a vida em muitos aspetos, também é verdade que nos condiciona e que, tantas vezes, nos pode trazer problemas. Sinto que estamos, atualmente, viciados no multifunções. Estamos a responder a um email ao mesmo tempo que falamos com os mil grupos de whatsapp dos quais fazemos parte ou estamos a pagar a conta da luz enquanto vimos passar mais uma notificação do Instagram ou Facebook que nos faz interromper essa tarefa. Estamos a ouvir música ao mesmo tempo que escolhemos a série para ver nessa noite. E assim, vamos indo com a sensação que somos fabulosos ao ter a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo.

 

Tornou-se também uma raridade sabermos esperar. Esta dependência do imediato conduziu-nos a um estado de permanente exigência com o ‘agora’. E isto é vivido em todas as dimensões da nossa vida. No trabalho, as solicitações que recebemos são sempre para ontem, o que faz parecer que, no momento em que recebemos determinada tarefa para executar, já estamos atrasados na sua concretização. Os emails contribuem, por exemplo, para que tudo tenha que ser resolvido ‘na hora’. Para quem, como eu, trabalha diretamente com clientes a situação torna-se ainda mais difícil, pois hoje ninguém está habituado a esperar. Os clientes querem respostas na hora e acham que, por vivermos na era digital, tudo se resolve à distância de um clic (já nos conseguimos autonomizar bastante mas ainda há assuntos que carecem de tempo para que possam ser resolvidos, até porque não dependem apenas de uma decisão nossa).

 

Na nossa vida pessoal, a incapacidade para saber esperar também pode trazer bastantes mal entendidos. Não raras são as vezes em que vejo casais a discutirem por cobranças do género ‘já te tentei ligar duas vezes. Porque é que só agora (30 min) depois é que estás a atender???’ ou ‘porque raio é que não fizeste um like numa foto que eu postei há 5 minutos??’. E, quando se dá por isso,  estamos a medir o amor de uma pessoa por outra através da rapidez de resposta ou do número de likes/comentários a uma qualquer publicação. Esta é a sociedade que estamos a criar. Uma sociedade onde os telemóveis, as redes sociais e, de forma global, as novas tecnologias estão a modificar a nossa perceção do tempo e dos vínculos emocionais e afetivos. Estamos a criar a sociedade do consumo imediato. A sociedade do ‘agora’. Uma sociedade superficial. Uma sociedade que não sabe que o ‘saber esperar’ não é para todos.

02
Out19

London City: 5 coisas a fazer

Alex

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Voltei de Londres há uns dias com muitas coisas para partilhar convosco. Quando decidimos fazer esta escapadinha de três dias o objetivo era assistir a um musical e aproveitar para passear um bocadinho na cidade. Como já não era a nossa primeira vez na capital britânica, optámos por fazer um programa mais leve entre espetáculos, restaurantes e compras. Se estão a pensar viajar para lá nos próximos tempos e não procuram as clássicas atrações turísticas, aqui ficam algumas sugestões de coisas que valem a pena fazer:

 

  1. Assistir a um Musical

A oferta em Londres é imensa. Podem escolher musicais de toda a espécie entre os mais clássicos como ‘O Rei Leão’, ‘Os Miseráveis’ ou ‘O Fantasma da Ópera’ até aos mais inovadores. Há para todos os gostos, feitios e preços. No meu caso, foi uma estreia nestas lides (pelo menos fora de portas!) e optámos por ver ‘O Rei Leão’. E, meus amigos, deixem que vos diga que ali a conversa é outra. Não é que em Portugal não se façam boas produções a este nível mas ali joga-se noutro campeonato. Comprámos os bilhetes com alguma antecedência e, não sendo propriamente baratos, valeram cada euro gasto. São 2 horas de puro entretenimento daquele mesmo bom. É um espetáculo maravilhoso entre cantores, bailarinos, cenários, figurinos e músicos. Sendo a minha estreia num musical escolhemos uma história mais leve e o eleito não desapontou. O ‘The Lion King UK’ está, desde 1999, em cena em West End no Lyceum Theatre e vale mesmo a pena ser visto. Numa decisão de última hora motivada por uma conversa com um amigo que nos recomendou este espetáculo, acabámos também por comprar bilhetes para assistir ao ‘Thriller Live’, uma espécie de cronologia musical do Rei da Pop desde os Jackson 5 até ao trabalho a solo e vida de Michael Jackson. Para quem, como nós, gosta bastante de MJ recomendo vivamente este musical.

 

  1. Conhecer novos Restaurantes

Quando viajo para uma cidade este é um temas sobre os quais automaticamente faço uma pesquisa. Por norma, gosto de fazer uma das refeições num restaurante diferente. Procuro um sítio com pinta e onde, acima de tudo, a comida seja boa. Nestes casos não penso tanto no preço (é melhor não olhar para os movimentos nos cartões!!!) e procuro apenas disfrutar da experiência. Sim, porque para mim tratam-se de experiências. Desta vez, o eleito foi o SushiSamba City (também têm em Covent Garden).  Localizado nos 38º e 39º pisos de um edifício na City, dois elevadores panorâmicos fazem as honras da casa conduzindo-nos para uma sala com uma vista aberta sobre a City. Ambiente muito giro, comida ótima, atendimento assim-assim. Espero partilhar convosco, em breve, um post sobre o restaurante.

 

  1. Passear nos Mercados

Outro clássico londrino são os seus mercados característicos. Ir a Londres e não visitar os mercados é quase como ir a Roma e não ver o Papa! Por isso, não podíamos deixar de dar um passeio por Portobello Road e Camden Town. Ambos com ofertas e ADN’s muito distintos. O primeiro é mais tradicional e podem encontrar-se várias barraquinhas de fruta, legumes e artesanato, bem como algumas lojas de antiguidades. Como fomos durante a semana estava a meio gás. É também aqui que podemos encontrar a famosa ‘casa azul’, a livraria de viagens do filme Notting Hill que é hoje uma loja de souvenirs! Camden Town tem uma vida diferente, mais alternativa que este primeiro. Abundam lojas com roupas vintage e de tatoos & piercings. Mas o que mais gosto em Camden é o seu street food market onde podemos experimentar comidas de todo o mundo (o wrap venezuelano do Arepazo Bros era qualquer coisa – Camden Lock Market!).

 

  1. Passear nos Parques

Se há coisa que não falta em Londres são parques a perder de vista: Hyde Park, Green Park, Kensington Gardens, Regent’s Park, St. James Park. É aproveitar o vosso roteiro e passar por um ou vários. Vale a pena até (se a meteorologia permitir, o que não foi o caso!) passar num grab & go, trazer uma sanduíche ou uma salada e fazer uma refeição num destes parques. São espaços onde se pode relaxar um pouco dentro do rebuliço da cidade. Já sabem que a probabilidade de terem companhia é grande, pois estão cheios de esquilos.

 

  1. Ir até Abbey Road Studios (para os amantes de música!)

Os mais conhecedores de música saberão do que falo. Os míticos estúdios de gravação por onde passaram nomes como os The Beatles, Pink Floyd, Amy Winehouse, Stevie Wonder, Oasis, James Bay ou Ed Sheeran fazem as delícias de quem vive a música como é o caso do Sr. Tralhas. Infelizmente não podem ser feitas visitas aos estúdios (salvo erro, só abrem durante alguns dias por ano para esse efeito!) mas vale a pena passar à porta e visitar a loja. Este programinha só vale a pena para aqueles que realmente são conhecedores dos bastidores da música e se interessam por este tema. No meu caso, como o Sr. Tralhas é músico (tendo outra profissão nas horas vagas!!) não podíamos falhar este ‘santuário’ da música.

11
Set19

Energia

Alex

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‘Mais do que a parte técnica bem executada, o mais importante num concerto é a energia que passamos do palco para as pessoas’ dizia o Sr. Tralhas, há uns dias, depois de um concerto em conversa com o proprietário do espaço. Fiquei a pensar sobre o assunto. Realmente é tudo uma questão de energia, ou seja, aquilo que conseguimos ou não transmitir às pessoas. Dei por mim a pensar que os melhores espetáculos que vi não foram aqueles onde a performance técnica dos artistas foi perfeita mas sim aqueles que me transmitiram sensações de diferentes naturezas. É assim com tudo na vida. Desde o amor ao trabalho. O mais importante é a energia.

 

No amor, essa energia sente-se logo nos primeiros encontros quando temos aquela sensação de ‘eu quero voltar a estar com esta pessoa outra vez’ ou, por outro lado, quando o outro interlocutor não nos acrescenta nada e acabamos por dispensar segundos encontros. A energia que sentimos quando estamos com alguém que nos transmite boas vibrações é algo que não se explica muito bem. É como se as peças de um puzzle encaixassem todas sem a menor dificuldade. A vida torna-se mais simples, porque a energia que duas pessoas têm em conjunto também é boa. Dizem que boas energias atraem boas energias e, por isso, é maravilhoso quando nos rodeamos de pessoas assim. A energia entre duas pessoas sente-se. Para o bom e para o mau. E posso garantir que quando é boa, contagia todas as pessoas à sua volta.

 

No trabalho, a energia também é uma coisa muito importante. Quantas vezes, dentro de uma organização, o facto de mudarmos de equipa faz a diferença entre uma melhor ou pior performance? Muda a equipa ou a chefia e muda também a energia. A forma como interagimos e nos relacionamos uns com os outros não é igual. Se para uns trabalhar com o colega A é fácil para outros pode revelar-se um pesadelo. Simplesmente há pessoas com quem, como costumo dizer, o nosso Santo cruza melhor que outras. Em ambiente profissional, pode também acontecer que os resultados não reflitam no imediato o bom ambiente que uma equipa possa ter mas, acredito que contribuam no médio prazo para um bom desempenho porque a energia está lá.

04
Set19

Variações

Alex

 

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"E quem te disse que eu me quero adaptar a Lisboa? É Lisboa que se vai adaptar a mim."

António Variações

 

Desde que, no final de 2018, começou a ser promovido o filme realizado por João Maia que a curiosidade em torno deste foi crescendo. Há muito tempo que não se via no cinema português algo deste género. Toda a promoção do filme foi muito bem pensada e levada a cabo com mestria. Em Julho deste ano, no palco EDP do NOS Alive, tive oportunidade de assistir a um concerto com o Sérgio Praia, ator que dá vida no ecrã a Variações e fiquei ansiosa pela estreia do filme. Os dados estavam lançados e foi com muita expectativa que esta semana fui finalmente ao cinema ver ‘Variações’.

 

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António Ribeiro, mais conhecido entre nós como António Variações, foi um homem muito à frente do seu tempo que desafiou um país ainda conservador e desconfortável com as suas próprias mudanças. A música, da qual nada sabia em termos técnicos, foi a forma escolhida por António para se expressar unindo a tradição (muito por influência de uma das suas cantoras preferidas, Amália Rodrigues) a uma nova forma de fazer e pensar a música. Apesar do seu desaparecimento precoce, aos 40 anos de idade, António viveu uma vida cheia de coisas para contar. O filme centra-se sobretudo no período entre 1977 e 1981, altura em que António regressa a Lisboa para perseguir o seu sonho de se tornar cantor. António viveu uma vida entre um certo conservadorismo, próprio de locais mais pequenos (viveu a sua infância em Fiscal, concelho de Amares) e o vanguardismo de locais como Londres ou Amesterdão (onde trabalhou como cabeleireiro/barbeiro). ‘Variações’, conta a história de um homem de convicções, tanto na música como no amor. Viveu um amor ‘proibido’ com Fernando Ataíde e na música enamorou-se das coisas simples. Sim, porque as suas canções falam sobre as coisas mais simples que são, normalmente, as mais bonitas.

 

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No ecrã podemos ver Sérgio Praia representar António de forma brilhante. Na verdade, posso mesmo dizer que por vários momentos me esqueci do ator e fiquei simplesmente a ver o Variações. As semelhanças entre os dois são imensas e é mesmo o próprio que dá voz aos temas presentes no filme. A sua linguagem corporal, os gestos, os movimentos, as expressões aliados a um guarda roupa e caracterização que achei muito bem conseguidos, ajudam a que esqueçamos Sérgio e apenas vejamos António. Ele acaba por ser o motor desta longa metragem apesar de bem acompanhado por Filipe Duarte (Fernando Ataíde), Victória Guerra (Rosa Maria) e Augusto Madeira (Luís Vitta) a interpretarem personagens de grande relevância na história deste artista. Ficaram a faltar alguns momentos chave da vida de António como a sua presença no programa de televisão o Passeio dos Alegres ou o momento em que, ao cortar o cabelo a Júlio Isidro no cabeleireiro de Isabel Queiroz do Vale, este partilha a sua música com o apresentador. Ainda assim, ‘Variações’ é um filme que prende do princípio ao fim. Está bem conseguido em quase tudo desde o guarda roupa, à caracterização, aos cenários, à banda sonora (com os temas clássicos de Variações que todos tão bem conhecemos) ao desempenho dos atores.Variações’, o filme, recupera a memória de um dos maiores nomes da história musical do nosso país e celebra-o nas salas de cinema. Altamente recomendado!

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30
Ago19

Pedras d'El Rei

Alex

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Pedras d’El Rei tem, para mim, um sabor especial. Foi lá que passei a maior parte das minhas férias de Verão. Como uma espécie de rotina instituída, todos os anos, em Julho, rumávamos a Sul. Como fui filha única até praticamente à adolescência, os primos faziam a vez dos irmãos e lá íamos nós ansiosos por aqueles dias. Ansiosos pelo comboio que nos levava à praia, ansiosos pelas bolas de Berlim do Sr. João (as sem creme continuam ainda hoje a ser as minhas preferidas!), ansiosos pela animação à noite no centro do aldeamento, ansiosos pelos gelados e gomas que íamos comprar ao café, ansiosos pelos mergulhos da tarde na piscina, ansiosos pelos passeios em Tavira.

 

Foi assim que cresci ali. Verão após Verão. Pedras guarda, sem dúvida, as minhas melhores recordações de férias. Pedras viu-me feliz mas também foi refúgio em momentos menos bons. Pedras viu-me ser criança, adolescente e adulta. Em Pedras, sou feliz. Nas caminhadas no percurso pedonal para a praia (de onde vejo o comboio em constante azáfama de passageiros), nas corridas de fim de tarde até Tavira, nas bolas da Praia do Barril, no Polvo de Santa Luzia, nos gelados de Tavira, nas idas ao supermercado para comprar pão fresco para o pequeno almoço tomado sem pressas, na tranquilidade dos relvados a perder de vista.

 

Voltei de Pedras há uns dias e sinto que podia ter lá ficado meses. É bom poder voltar aos sítios onde fomos e somos felizes. Pedras está igual. E é isso que faz daquele espaço um local tão encantador. Onde o branco das casas contrasta com o verde intenso dos longos relvados. Ali o tempo é irrelevante. Sabe a férias e a paz de espírito. Sabe a mergulhos no mar e a beijos salgados. Que bom que foi podê-lo ter partilhado contigo.

 

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16
Ago19

Eggs

Alex

 

Lembro-me, muitas vezes, de uma cena de um daqueles filmes de domingo à tarde protagonizado pela Julia Roberts (Maggie) e Richard Gere (Ike), que sempre me deixou a pensar sobre a definição que temos de nós próprios e como reagimos perante o outro em função disso. Na cena em causa, Ike confronta Maggie sobre como é que ela gosta dos ovos ao pequeno almoço, pois ao investigar os seus relacionamentos anteriores dá-se conta que Maggie diz preferir um tipo de ovos diferente de acordo com o noivo do momento (‘Você é a mulher mais perdida que eu conheço. Tão perdida que nem sabe como quer comer os ovos! Com o padre, eram mexidos; com o hippie eram fritos; com o outro eram escalfados, e agora, só claras!). A deixa de Gere leva-me a pensar que o mesmo acontece com tantos de nós nas relações. Tendemos a perder identidade. Uns porque preferem evitar o conflito com quem gostam, outros por pura incapacidade, outros ainda porque querem tanto agradar que acabam por tornar-se iguais ao seu parceiro.

 

Há umas semanas atrás, em conversa ao jantar, fiquei a pensar até que ponto nos tornamos demasiado permissivos nas relações ao ponto de nos sentirmos perdidos de nós. Vamos aceitando um conjunto de pressupostos que parecem fazer sentido naquele momento mas que, a determinada altura, nos fazem pôr tudo em questão. Será que é aquele o caminho que querermos seguir? Estamos felizes com as decisões que outros parecem ter tão certas apenas para eles? Somos realmente nós ou estamos apenas a projetar uma imagem que encaixa naquilo que o outro quer para si?

 

Quando gostamos realmente de alguém faz parte ajustar, moldar, adaptar e ceder em prol do crescimento saudável de uma relação. Mas, como em tudo na vida, existe uma dose certa para tal que depende de cada pessoa e relação. Acredito que, para termos uma relação saudável, devemos ter a noção plena de quem somos, quais os nossos gostos, quais os nossos objetivos de vida e quais os nossos limites, isto é, até onde estamos dispostos a ir. Não temos que saber tudo mas é importante termos consciência de quem somos, o que gostamos e o que queremos. Começa nas coisas simples. Como na forma como preferimos comer os ovos. Estende-se até à nossa essência.

 

 

07
Ago19

Química

Alex

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Quem me conhece sabe que sou rapariga das letras, pelo que os números, a física e a química nunca foram o meu forte. Esta semana, ao assistir a um documentário na Netflix sobre uma tournée dos Rolling Stones na América Latina, fiquei a pensar sobre o que o Keith Richards falou sobre a sua relação com a banda e, em particular, com Mick Jagger. Este falou sobre o facto de terem uma relação muito especial onde existe uma cumplicidade tão forte que, por muito que possam ser diferentes num conjunto de coisas, acabam sempre por se entender. Isto é o que eu costumo chamar de química entre duas pessoas. Seja em que tipo de relação for. Nas amizades, no amor ou nas relações profissionais.

 

A definição científica diz que química é a ciência que estuda a composição, estrutura, propriedades da matéria, as mudanças sofridas por ela durante as reações químicas e a sua relação com a energia. E eu acredito que é isto mesmo que acontece nos relacionamentos. A química entre duas pessoas é algo que não se sabe traduzir muito bem por palavras mas que provoca mudanças e alterações nas pessoas, o que acaba por se refletir na boa energia que espalham. Eu prefiro chamar-lhe brilho. Na ciência diz-se também que a química é a ponte que liga várias outras ciências como a Física, Matemática e Biologia. Na vida, acredito que a química liga duas pessoas de uma forma muito intensa mas, ao mesmo tempo, muito natural. E é isso que a torna tão especial.

 

Quando duas pessoas têm química é como duas peças de um puzzle que encaixam na perfeição. Tudo se faz sem esforço. Existe cumplicidade e companheirismo e isso faz com que tudo flua. Não quer necessariamente dizer que duas pessoas sejam iguais, muitas vezes até têm feitios bastante diferentes, mas com a química certa tudo funciona. Quando numa banda já sabemos o que nosso guitarrista vai fazer a seguir, quando já sabemos o que aquela amiga(o) está a pensar mesmo que este em silêncio, quando no emprego conseguimos trabalhar bem com a nossa equipa ou quando em casa acabamos a rir das mesmas piadas que mais ninguém entende. É química. E, nas letras, não se explica. Apenas se sente.

30
Jul19

Sobre coisas garantidas

Alex

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Costumo dizer muitas vezes que, na vida, só temos uma coisa garantida e que é o facto de sabermos que um dia, seja lá quando for, deixamos todos de cá andar. Digo isto porque, tantas vezes, no trabalho ou na vida pessoal, achamos que o que temos está ali e não vai a lado nenhum, sem que para isso tenhamos que fazer grande coisa. É fácil acomodarmo-nos à nossa zona de conforto e às rotinas.

 

No trabalho, há a tendência para se achar, sobretudo se os colaboradores estiverem efetivos, que não têm que provar o seu valor. Estão ‘seguros’ e, portanto, limitam-se a cumprir com o básico. Acaba por não existir espaço nem vontade para aquele tempo extra ou aquela visão mais fora da caixa que seria benvinda num determinado projeto. E não é porque não vistam a camisola, simplesmente acontece porque as pessoas estão acomodadas à função. Acham que não necessitam de se esforçar mais do que um determinado ponto para terem o seu lugar na empresa assegurado.

 

Na vida particular, por seu lado, os casais tendem a esquecer o quão importante é fazer coisas diferentes. Ele ou ela estão ali. Na nossa vida. E não vão a lado nenhum porque gostam de nós. Puro engano. É absolutamente necessário não dar nada como garantido. As relações implicam esforço, criatividade e compromisso. Saber fugir da rotina e não esquecer os pequenos gestos para com o outro é algo essencial. Na minha opinião quando estamos demasiado confortáveis nas situações tendemos a ser menos proactivos, ou seja, achamos que não temos que cuidar da nossa imagem porque ele/ela gostam de nós assim ou achamos que não temos que fazer nenhum sacrifício nem ajustar nada porque afinal de contas ele/ela já nos conheceu a viver daquela forma. Desenganem-se aqueles que julgam que gostar é suficiente. Gostar ajuda a enfrentar alguns momentos. Ajuda nas ausências, ajuda no espírito aberto para entender determinadas escolhas mas pode não servir como garantia para nada. Por isso, se têm a sorte de ter ao vosso lado aquele(a) pessoa especial, cuidem bem dela porque nunca sabemos se amanhã não é o último dia que temos a sorte de o (a) ter na nossa vida.

 

26
Jul19

Comer, Treinar, Amar

Alex

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Nunca fui pessoa de me preocupar muito com aquilo que comia. Como boa alentejana que sou, sou também um bom garfo. Sou gulosa e gosto de comida que conforte o estômago e a alma. Como praticava bastante desporto, nomeadamente corrida, o que comia nunca era um problema para mim. Abusava nos hidratos, nos açúcares e nas gorduras saturadas sem grande preocupação e sem notar grandes oscilações de peso. Ora bem, quando, por várias razões, abrandei (ou quase parei) o exercício e continuei a fazer o mesmo tipo de alimentação, o corpo começou a reclamar. Ficava constantemente mal disposta e a balança não parava de aumentar. Comecei também, por estar mais velha, a notar o metabolismo muito mais lento e o resultado foram mais uns 7-8kgs acima do peso com o qual me sinto confortável.

 

Há uns meses atrás decidi que estava na altura de contrariar este cenário, não só por uma questão estética mas, acima de tudo, por uma questão de saúde. O primeiro passo foi regressar aos treinos e, para isso, juntei-me a um casal de amigos em conjunto com o Sr. Tralhas, para fazermos dois treinos semanais orientados por um personal trainer. Para as lontras que, como eu, detestam ginásios esta é a solução indicada. No ginásio, sem orientação é difícil motivarmo-nos e não ficarmos com aquela sensação de que andamos por ali perdidos no meio das máquinas sem saber bem o que andamos a fazer. Portanto, com a ajuda do PT e com a motivação extra dos amigos, tudo fica um pouco mais fácil. Os dias e as horas dos treinos estão definidos portanto é só uma questão de organizar bem a agenda e estes passam a fazer parte do nosso dia a dia. Em cerca de quatro meses de treinos senti o meu corpo a, progressivamente, ficar mais forte (olá força nos bracinhos!!). Voltei também a correr. Não com o ritmo e a intensidade com que o fazia dantes mas sinto que tem sido um bom complemento ao treino funcional.

 

A alimentação foi o segundo hábito que tive que alterar. E não comecei a fazer dietas extremas (só a palavra dieta provoca-me arrepios pelo simples facto de me sentir privada de alguma coisa) ou planos detox altamente prometedores. Não me tornei vegetariana, não deixei de comer carne nem peixe. Simplesmente introduzi um conjunto de alterações que podem fazer a diferença na hora de subirmos à balança. Sinto-me bem, menos inchada, menos volumosa. A primeira mudança que fiz na alimentação foram os hidratos. E sim, custou-me bastante, sobretudo cortar no pão (aiii o pão!!). Passei a comer pão só ao pequeno almoço e, de preferência, pão escuro. Acabaram-se os dias da manteiga lá por casa também. Reduzi a quantidade de arroz e massa que comia e se, me apetecer mesmo um destes dois acompanhamentos, dou-lhes preferência na refeição do almoço. As saladas fazem mais parte da ementa, bem como os vegetais. O leite passou a ser sem lactose e as peças de frutas não excedem as três por dia. Cortei a batata das sopas e eliminei as bolachas (as únicas que como são as marinheiras. Adoro a versão com chia!). Bebo cerca de 1,5l de água, o que comparado com os 50ml que bebia antes já é um avanço significativo. Com esta mudança, não quer dizer que tenha deixado de fazer asneiras, sobretudo ao fim de semana onde tenho menos preocupação com o que como. A verdade é que também não quero ser mais papista que o papa e acho que, nestas coisas, não precisamos adotar comportamentos extremos. Continuo a comer um gelado, um hambúrguer, uma pizza ou umas batatas fritas quando me apetece. Só não o faço com regularidade. Acredito que se soubermos equilibrar tudo somos mais felizes. E, neste triângulo amoroso entre alimentação, exercício e balança, tenho-me sentido mais confiante, mais forte e mais saudável.

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