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As Tralhas da Alex

18
Fev19

sobre escolhas

Alex

'A vida tem-me ensinado a escolher sempre o que acho ser melhor para mim no aqui e no agora, mesmo que isso implique voltar atrás de todas as vezes que não estiver feliz ou que não me sinta confortável na minha pele, nem tranquila na minha paz. A vida tem-me ensinado a saber dizer não, a não me afastar um milímetro dos meus princípios e valores, a saber ajustar a rota quando me perco no caminho, a gerir as mágoas com o perdão no coração, a deixar para trás o que não me leva para a frente, a acreditar que é na curva da estrada que se desenha a recta e a manter a certeza absoluta de que não há atitude mais revolucionária nesta vida como a de confiar que somos capazes, que chegamos onde queremos chegar e que merecemos tudo o que de bom a vida nos trouxer.'

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hoje li estas palavras num dos blogs que sigo habitualmente e, mais do que em qualquer outro dia, fizeram-me todo o sentido. a minha bússola durante a vida tem sido a minha intuição e o meu instinto. procuro ouvir os que me são mais próximos e a sua opinião, o que não significa que as minhas decisões vão de encontro às suas. já tomei boas e más decisões. já dei por mim a agradecer ter mudado e já me arrependi algumas vezes. já sofri e já fui muito feliz. já tive que ouvir o eterno 'eu bem te avisei. se me tivesses dado ouvidos' mas também já ouvi 'escolhas o que escolheres, vou estar aqui para te apoiar'. faço sempre as minhas escolhas com base naquilo em que acredito e com base nos dados que tenho disponíveis naquele momento. há quem diga que tenho uma visão de curto prazo, há quem diga que não penso no futuro. há quem me considere mimada e inconsequente. eu sei que procuro sempre com o que escolho, sentir-me de bem com a vida e comigo. tomar decisões e, muitas vezes, mudar dá medo. e trabalho. mas para os conformados e conservadores, a vida deve ser só um grande aborrecimento. quando não arriscamos nada muda. quando não confiamos nada acontece. porque, por vezes, a felicidade pode mesmo estar só ali. à distância de um salto de fé. em ti e na vida.

13
Fev19

Dia Mundial da Rádio*

Alex

Quando entrei pela primeira vez num estúdio de rádio com 9 anos estava longe de imaginar a paixão que nascia ali. Durante a década seguinte não a larguei mais. Cresci entre estúdios. Fiz amigos. Partilhei alegrias e tristezas com colegas e com ouvintes. Fui feliz, tão feliz. Todos os sábados entre as 13h e as 15h lá estávamos nós prontos para o Colar de Pérolas. Primeiro eu e a Sandra, depois juntaram-se a nós o Ivo e o Bruno. Recordo com muita saudade todos os programas e os passatempos que fazíamos. As músicas que gravávamos em cada Natal. A conga e as maracas que tínhamos no estúdio! Eram momentos muito divertidos e isso contagiava quem nos ouvia. Anos mais tarde estreei-me a solo. O Feedback era um programa semanal onde havia espaço para todo o tipo de música e para receber convidados.  O registo era diferente do programa que fazia com os meu colegas mas dava-me igualmente muito gozo. A casa que me acolheu durante todo este tempo foi a Rádio Despertar Voz de Estremoz, na minha terra natal e que guarda um lugar especial no meu coração.

 

Com a vinda para a capital para estudar estava a ser cada vez mais difícil ir a casa ao fim de semana, pelo que tive que tomar a decisão de abandonar a rádio. Na altura, foi complicado tomar este passo mas teve mesmo que acontecer. Deixei a rádio temporariamnete mas o 'bichinho' não me largou. Anos mais tarde, num jantar em casa de amigos, a Andreia mencionou que tinha um amigo que procurava alguém para partilhar o programa que fazia na Horizonte FM ao Domingo. Lá nos puseram em contacto e combinada a visita ao estúdio, por ali fiquei mais uns tempos com o Luís no nosso Café Central, um programa inteiramente dedicado à música nacional. Adorava fazer a rubrica da Agenda Cultural todas as semanas. Não sei exatamente quanto tempo durou esta passagem na Horizonte mas foi muito especial.

 

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Hoje, no dia que se celebra o Dia Mundial da Rádio, deixo aqui o meu agradecimento não só a todos os radialistas de profissão mas, sobretudo, a todos os amadores que pelas rádios deste país (principalmente nas regionais) fazem companhia a tantas pessoas. A rádio continua a ser o meio de comunicação social que atinge as maiores audiências e também um meio que permite à população (sobretudo no interior) o acesso, em tanto casos, mais simples à informação e ao entretenimento, a factos e a histórias. E, isso per si, já é um grande motivo para que a Rádio possa ter um dia especial como o de hoje.

 

* A data foi escolhida pois foi neste dia que a United Nations Radio emitiu pela primeira vez, em 1946, um programa em simultâneo para um grupo de seis países. A data foi declarada em 2011 pela UNESCO e o primeiro Dia Mundial da Rádio foi celebrado em 2012.

 

12
Fev19

A arte de conversar

Alex

Gosto de companhia. Gosto de conversar e que conversem comigo. É muito comum ouvirem-me dizer: 'Jantamos fora esta sexta para pôr a conversa em dia?'. Na verdade, o jantar é só a desculpa para horas e horas de tagarelice. Adoro deixar-me ficar sentada à volta da mesa e de me envolver de tal forma naquele momento, que perco a noção do tempo. Acho que hoje as boas conversas são subestimadas e, até mesmo, negligenciadas. Conversa-se muito entre sms, whatsapp e todas as outras formas digitais e rápidas de o fazer e ficamos com a noção (errada!) de que comunicamos muito. Além de que comunicar muito não significa comunicar com qualidade.

 

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É por isso que acho fundamental pararmos um pouco para realmente conversar. Os temas variam e podem ir desde o mais superficial até um assunto mais profundo. Não importa. Na conversa as ideias surgem e são debatidas, melhoradas, contraditas, rebatidas ou desfeitas ali entre um e outro copo de tinto. Sem pressas. Este contacto e estes momentos em que verdadeiramente podemos estar com a pessoa são preciosos e, cada vez, mais raros. Largam-se as correrias do dia, os telemóveis ficam no silêncio e, por momentos, ficamos só ali concentrados um no(s) outro(s).

 

É quando verdadeiramente deitamos muita coisa cá para fora e que a nossa alma sossega. Já falámos aquele assunto mais difícil com o nosso amor daquele momento, já expusemos as nossas dúvidas e incertezas à melhor amiga, já contámos aquela situação caricata que nos aconteceu no trabalho ao grupo de amigos. Vale tudo. Gosto mesmo muito destes momentos de verdadeira partilha. Vivemos numa sociedade onde tudo acontece demasiado rápido, onde o consumo imediato é a palavra de ordem, uma sociedade que nos ensina a sermos pouco pacientes. O tempo nunca chega para nada entre obrigações familiares e profissionais. Mas, de vez em quando sabe bem parar. Para apenas conversar.

 

11
Fev19

Crazy little thing called love

Alex

 

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'Há quem tenha dificuldade em abrir-se para o amor. Há quem tenha nascido para o amor. Outros... outros andam à procura. À procura de alguém que os ame da forma que merecem.'

You, Netflix*

 

Depois de mais um episódio da série que me tem feito companhia no sofá fiquei a pensar sobre como somos nós à luz do amor. Cada pessoa sente, naturalmente, o amor à sua maneira. Muitos têm dificuldade em dar-se, em mostrar e partilhar afetos. Não significa que sejam desprovidas de sentimento, simplesmente têm maior dificuldade em expressar-se. O que, em última instância, pode magoar bastante não só o próprio como as pessoas que o rodeiam, pois podem não compreender um feitio assim.

 

Outros há que são amor da cabeça aos pés. Vivem este sentimento intensamente. São eternos apaixonados. Para este tipo de pessoas, o amor é fácil. Deixam-se conquistar com a maior naturalidade e leveza do mundo. As emoções são vividas de uma forma muito profunda, bem como as tristezas e as perdas. No amor, são como montanhas russas. Tudo ou nada. O que também pode não ser fácil de lidar.

 

E, depois, existem aqueles que procuram apenas alguém que os ame da forma que merecem. Claro que, para cada um de nós, esta forma é diferente. Mas acredito que, a essência será muito parecida. Acredito que todos procuramos no outro mais ou menos as mesmas coisas, ou seja, o companheiro(a), o amigo(a), aquela nossa pessoa que, quando algo de bom ou mau nos acontece, é a primeira com quem queremos conversar. Aquela pessoa que nos faz querer ser melhores e que vê o melhor de nós também. Aquela pessoa que nos trata bem, que nos mima, que tem um abraço casa e uma paciência feita de açúcar. Aquela pessoa que nos sabe dar espaço quando precisamos. Aquela pessoa que sabe exatamente o que gostamos na mesa, na música, no cinema e no que vestir. Cabe-nos a nós e ao nosso amor próprio termos força suficiente para não aceitarmos menos que a simplicidade das coisas básicas. Como costumo dizer existem os mínimos olímpicos. E, sem estes, o amor não pode ser amor.

 

*Guinevere Beck (Elizabeth Lail) é uma aspirante a escritora, que vê sua vida mudar completamente ao entrar numa livraria em East Village, onde conhece o charmoso gerente, Joe Goldberg (Penn Badgley). Assim que a conhece, Joe tem certeza de que ela é a rapariga dos seus sonhos, e fará de tudo para conquistá-la — usando a internet e as redes sociais para descobrir tudo sobre Beck. O que poderia ser visto como paixão transforma-se numa obsessão perigosa, uma vez que Joe não vai medir esforços para tirar de seu caminho tudo e todos aqueles que podem ameaçar seus objetivos.

07
Fev19

Espelho meu, espelho meu, há algum coleguinha mais estúpido que o meu?

Alex

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O mundo empresarial e toda a fauna que encontramos ao longo da nossa vida profissional já foi tema aqui no blog e irá, certamente, continuar a ser. O tema de hoje prende-se com a inflexibilidade dos próprios colegas, o que me leva à seguinte questão: têm os colaboradores que não têm filhos ser prejudicados em função dos que têm? Existem sempre dois pesos e duas medidas infelizmente. Se uma pessoa chegar um pouco mais tarde do que a sua hora porque vai levar a criança ao karaté, à natação, à escola ou qualquer outra coisa deste género é bem encarado e não tem problema nenhum. É legítimo e considera-se que é uma mãe ou pai extremoso mas, por outro lado, se a pessoa não tem filhos e chega um pouco mais tarde porque ELA PRÓPRIA tem uma atividade, pratica um desporto ou vai à fisioterapia é uma irresponsável. O mesmo se passa com as férias. Quem tem filhos tem que tirar férias em Agosto porque a creche ou a escola fecham e não tem com quem deixar as crianças. Mas, se não tens filhos, podes só fazer férias no inverno que também está muito bem.

 

Confesso que esta forma meio mesquinha de encarar a conjugação da vida pessoal com a vida profissional me irrita bastante. As equipas que melhor funcionam são aquelas onde mais respeito existe pelo outro, ou seja, onde cada um se sente realizado e equilibrado. Não temos todos que ter contextos pessoais iguais (e ainda bem!!) e não temos todos que valorizar o mesmo, quer no trabalho quer na vida pessoal. Por isso, caros colegas, há espaço para que todos nos possamos sentir bem. Não é necessário castigar quem não tem filhos e gosta de fazer outras coisas que não só trabalhar e viver em função das crianças. Sou defensora de um local de trabalho com abertura para que TODOS nos possamos sentir bem e que seja equilibrado (sempre o mais difícil!!). Eu não me importo que os pais e as mães saiam todos os dias às 16h para ir buscar os filhos ou que fiquem sistematicamente em casa porque é necessário. Se preciso for até asseguro o seu trabalho. Mas, guess what, temos que ser uns para os outros. Caso contrário da próxima vez que sair para ir buscar a sua criancinha à escola, vai levar exatamente com o mesmo tipo de comentário que eu tive que ouvir de si hoje pela manhã. E é isto.

05
Fev19

O carteiro toca sempre duas vezes

Alex

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Esta coisa da era moderna dos emails, das clouds, dos facetimes é tudo muito giro e facilitador mas a verdade é que continuo a ser uma old-fashioned em muitas coisas. Por exemplo, não consigo deixar de usar uma agenda em papel. Vendam-me as ideias que quiserem mas eu adoro escolher uma nova agenda que me vai acompanhar nas aventuras desse ano. Adoro poder riscar, alinhar, planificar à vontade, organizar o calendário, colar post-its, fazer notas e mais notas e ainda nenhum gadget me conseguiu transmitir a mesma sensação.

 

O mesmo se aplica às cartas e postais. Parece já coisa do século passado. Hoje ninguém envia uma carta ou um postal. Entopem-se as caixas de email, enviam-se mil mensagens de whatsapp mas ninguém pega numa caneta para simplesmente escrever. Lembro-me bem, na minha infância, de escrever a vários amigos e viver tudo isso com um enorme entusiasmo. Era sempre com grande ansiedade que ia ver a caixa do correio. Teria chegado mais uma carta? A sensação de rasgar o envelope e descobrir cada palavra é única. Acho mesmo que o facto de dedicarmos uns minutos a escrever uma carta ou um postal a alguém torna tudo ainda mais especial. Confesso que guardo religiosamente numa caixinha todos as cartas, postais, recadinhos, post-its que me escrevem!

 

Por isso, fica o desafio. Escrevam mais, ponham no papel aquilo que é importante para vocês. E, no mês dedicado ao Amor, porque não surpreenderem alguém assim?

01
Fev19

O amor chega?

Alex

 

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Dei por mim a pensar sobre o amor e sobre se este é suficiente para manter duas pessoas juntas que se gostam verdadeiramente. Na minha conceção romântica da coisa eu diria que este é sempre razão bastante para que duas pessoas fiquem juntas. Se existe amor, existe vontade. E quando existe vontade, tudo se consegue. Mas, infelizmente, a vida leva-me a dizer o contrário. Vários são os exemplos à minha volta e até situações que eu própria vivi que me levam a dizê-lo com esta convicção. Sobretudo quando já se vive um amor mais maduro, não aquele amor de juventude que nos faz cometer as maiores loucuras só porque sim.

 

Quando já passámos por muito na vida é com maior entendimento que, muitas vezes, percebemos que por muito que se goste de outra pessoa… o amor não chega. Ou porque os feitios são diferentes ou porque os projetos de vida não coincidem. E isto não tem nada de errado. Mas não deixa, tantas vezes, de magoar. À medida que vamos envelhecendo vamos ficando menos tolerantes com determinados comportamentos. Os feitios começam a vincar-se mais e entramos em rota de colisão. É um caminho que não tem volta. Nuns casos aguenta-se mais, noutros menos. Pode demorar anos mas a separação é inevitável. Com a idade ficamos mais despertos para o facto do relacionamento ter que somar. Se não nos acrescentar nada então mais vale seguir caminhos separados. O mesmo se aplica quando duas pessoas têm objetivos de vida completamente diferentes. Um quer casar, o outro não. Um quer filhos, o outro não. Um quer viver na cidade, o outro no campo. Um quer carreira, o outro quer família. Um quer passear, o outro quer ficar em casa. Um quer tempo, o outro não tem disponibilidade. Neste caso, nem o amor chega. As diferenças começam a acentuar-se e a rutura vai acabar por se dar a qualquer momento.

 

Mas, apesar de tudo isto, a menina que vive em mim vai sempre querer acreditar que o amor tudo supera. Que é possível chegar a um equilíbrio, que se duas pessoas quiserem muito arranjam forma de conseguir que funcione. Um cede nuns assuntos, o outro noutros. E será sempre com base neste respeito pelo outro que o amor se vai instalando e que fará com seja possível viver uma relação saudável e tranquila.

31
Jan19

O Clube Lisboeta

Alex

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Acordar sem despertador ao fim de semana, arranjar-me sem pressas e sair para tomar uma das refeições que mais gosto. Não existe alegria maior do que um farto e delicioso brunch. As ofertas são muitas e variadas, sobretudo em Lisboa, por isso, sempre que posso aproveito para experimentar mais um local. O destino, desta vez, foi o Clube Lisboeta na companhia da mana e do Sr. Tralhas. Fica na Rua da Escola da Escola Politécnica, ali bem perto do Rato. O espaço, amplo e com uma decoração moderna e minimalista, fazia manter a expectativa elevada.

 

Existem duas opções de brunch disponíveis todos os dias até às 17h. A primeira tem panquecas de cacau, geleia do clube, banana e calda de chocolate; uma tosta de ovos mexidos e requeijão tradicional, pesto de ervas e brotos e um bowl de iogurte natural, compota do Clube de frutas da época, mel e granola caseira de curcuma; café ou chá e sumo do dia (16€). A segunda opção é composta por uma tosta de abacate, com pico de Gallo (tomate cherry, cebola roxa, malagueta e coentro) e folhas verdes; tapioca de queijo da Serra, banana e canela; bowl de iogurte natural, frutas frescas, mel e granola do Clube com nibs de cacau; café ou chá e sumo do dia (20€). 

 

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A ideia inicial era diversificar (tal e qual se faz nos investimentos!!) e pedir os dois brunchs para experimentar. Mas, como não houve consenso, acabámos por preferir todos a primeira opção. Confesso que gostei bastante da tosta de ovos mexidos e requeijão tradicional, pesto de ervas e brotos e do bowl de iogurte natural, compota do Clube de frutas da época, mel e granola caseira de curcuma. O sumo do dia, de melancia e gengibre, era bom (apesar da quantidade ser um pouco limitada!). A grande deceção foram mesmo as panquecas. A conjugação do cacau com a geleia de frutos do bosque e a calda de calda de chocolate não é, a meu ver, feliz. Torna tudo demasiado pesado e enjoativo, sobretudo para quem não adora chocolate. Na apreciação geral não é um mau brunch, continua a ter nota positiva mas não entra diretamente para o meu Top 5. Qualquer das formas se tiverem oportunidade, experimentem. Fico à espera do vosso feedback!

21
Jan19

Todas as coisas maravilhosas

Alex

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Ir ao teatro. Acordar sem despertador. Ouvir música bem alto no carro e cantar a plenos pulmões. Abrir uma nova agenda. Comer arroz de atum e ovos mexidos. Escrever no blog. Dar beijos e abraços em quem gosto. Passar o dia na praia e comer bolas de berlim. Tomar banhos de imersão. Assistir aos concertos do Sr. Tralhas. Correr. Receber os amigos em casa. Procrastinar no sofá (séries e filmes até não aguentar mais!). Tudo isto poderia fazer parte da minha lista de coisas maravilhosas.

 

Este foi precisamente o ponto de partida para a peça «Todas as coisas maravilhosas» que fui ver esta sexta-feira. O dramaturgo inglês Duncan Macmillan escreveu a peça e, no nosso país, foi Ivo Canelas que interpretou este monólogo de forma magistral. O Estúdio da Time Out, no antigo Mercado da Ribeira, recebe-nos de uma forma bastante crua, numa sala simples apenas com cadeiras dispostas em forma de arena. No seu centro, Ivo brilha sozinho ao contar a história de uma criança (agora já adulta) que começa aos 7 anos a escrever uma lista com todas as coisas maravilhosas que existem no Mundo para combater as tentativas de suicídio da mãe. O público é chamado não só a participar mas também a deixar-se envolver na história sob várias perspetivas.

 

Os temas centrais são duros, a depressão, as crises existenciais, a morte mas a mensagem é tão simples e, por isso, tão bonita. Emocionei-me. Mas também ri bastante. Gargalhadas sinceras. Esta lista começa como uma tentativa desta criança de chamar a atenção da sua mãe para todas as coisas maravilhosas que existem. No entanto, ao longo da vida, o seu conteúdo vai-se alterando mas a sua essência mantém-se. A lista não cumpriu o propósito de evitar uma tragédia familiar mas conseguiu transformar a vida deste menino feito homem. A peça fala sobretudo da morte mas é um elogio à vida. E, por muito que por vezes tenhamos dificuldade em ver, ela tem coisas muito boas. Talvez este seja um exercício que todos nós devêssemos fazer. Andamos tantas vezes com a vida cheia de «coisas» e não paramos para pensar um pouco sobre o quão maravilhosas elas podem ser. Não precisam ser grandes. Só precisam fazer-nos felizes. E isso, é o melhor que podemos levar disto tudo.

 

 

(infelizmente a peça já não está em cena mas espero que façam uma reposição em breve para que possam ter a oportunidade de ver)

15
Jan19

#seeusoubesseescreverassim

Alex

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'há quem associe a alma a algo poético, quase místico, que apenas existe de forma simbólica. já eu vejo a alma de quem me rodeia todos os dias, nas coisas mais pequenas da vida. uma música, uma imagem, uma frase, uma forma de estar, de viver. isso para mim é a alma, aquela coisa que nos distingue e identifica sem sabermos explicar o que é. e as almas gémeas conhecem-se aí: na forma igual como olham para o mundo, como completam as frases que o outro diz, como pensam da mesma maneira, como, ao longo dos anos, crescem no mesmo sentido. como evoluem iguais.

por isso, fui perdendo muitos amigos ao longo da vida. pessoas doces, adoráveis, próximas, mas que no fim do dia descobrimos que não tínhamos a mesma alma. que a vida que queríamos viver era diferente, incompatível. com a idade - ou direi antes, com a maturidade - fui percebendo que não tem mal deixar cair quem não me energiza. que não tem mal ficar mais longe de quem não sente o mesmo pulsar no dia. porque o tempo não dá para tudo e temos de optar por quem nos completa. simples. estaremos lá se for preciso. mas não estamos lá sempre que é possível.


por isso, fui encontrando muitas almas gémeas ao longo da vida. são poucas, mas são a sério. aquelas pessoas que não falamos meses, mas com quem se partilha uma música nova e a outra pessoa diz: descobri isso ontem. era impossível. as almas iguais conhecem-se na diferença: deliramos com a mesma imagem que mais ninguém se apercebeu, ouvimos o mesmo vinyl que mais ninguém ouve, comemos o mesmo sabor agri-doce picante que mais ninguém quer experimentar. sim, porque escolhemos sempre o mesmo prato da ementa, mesmo quando é todos os dias diferente. estas almas tem hábitos tão estupidamente iguais que irritam, como simplesmente não usar guarda-chuva. só porque não. coisas destas, tão pequenas, mas que sabemos, por isso, tão estranhamente únicas. por serem tão próximas, é lindo quando fazemos algo - um gesto ou uma acção - que emociona essa pessoa. porque o brilho dos olhos é igual, em quem dá e em quem recebe. são coisas, pequenas, mas nossas.
só, estranhamente, nossas.'

 

J.D. in Momentos

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