A mão invisível

Quase de um dia para o outro vimos a nossa vida mudar por completo. Aquilo que tínhamos como certezas e como garantido alterou-se sem que muitos de nós, nesse momento, percebêssemos bem a dimensão do que viria pela frente. De repente, vimo-nos confinados às nossas quatro paredes, não por escolha mas antes por uma ‘imposição’ (que realmente se impunha pela saúde de todos!!). Quando digo escolha não falo do isolamento voluntário a que muitos aderiram logo mas no sentido em que não nos fechámos em casa porque nos apetecia isso a outra coisa qualquer. Fizemo-lo por que tinha de ser.
A verdade é que cada um tem lidado com o chamado distanciamento social à sua maneira. No meu caso, nunca fui a pessoa mais caseira do mundo. Sabe-me bem, de vez em quando fazer um domingo de sofá, mantas e séries mas quando o faço é por opção e porque necessito abrandar. Por norma, a minha agenda é sempre bastante cheia entre treinos, voluntariado, jantares, concertos e mil eventos culturais que não gosto de deixar escapar. Sou pessoa de pessoas e não me canso de o dizer. Confesso que me faz falta o contacto e a proximidade física, que espero que possamos retomar em breve. Mas, para já, parece-me que continuaremos fechadinhos nos nossos lares.
A mim em particular, o facto de estar por casa tem-me posto alguns desafios. Nunca fui escrava do lar, isto é, nunca deixei de fazer outros programas porque tenho que encerar o chão, esfregar a cozinha até esta brilhar ou engomar roupa no dia X porque, caso contrário, o mundo acaba. Isto para dizer que, como costumo passar pouco tempo em casa, não sou propriamente uma fada do lar. Tive a felicidade de ter uma boa educação e sempre fui a habituada (na infância, muitas vezes literalmente obrigada!!) a ter que saber fazer tudo em casa. E sei! Se adoro? Não! Mas, nesta fase, e tendo ficado sem ajuda pelas razões óbvias, sinto que nunca dediquei tanto tempo às lides domésticas como agora. Sinto que passo os dias entre a cozinha, a sala e o quarto sempre em loop. A verdade é que, qual mão invisível, as coisas vão aparecendo feitas em casa. E não há como escapar a isto. Para mim, é aborrecido e maçador. Há coisas piores, claro que sim. Mas hoje, tenho saudades dos dias em que não tinha que me preocupar sete dias por semana com este tipo de questões.
