'A vida não é uma fábrica de brinquedos'

‘De facto, a vida não é uma coleção de frases bonitas sobre impacto, liderança, gratidão, felicidade e por aí fora. A vida é uma prática. E tudo na vida se resume a… vivê-la.’
José Crespo de Carvalho
A cada dia que passa multiplicam-se as frases motivacionais, os workshops e livros de auto ajuda, os blogs inteiramente dedicados à felicidade ou à gratidão, quais fórmulas mágicas para se alcançar um determinado estado de espírito. Confesso que tenho paciência zero para o assunto, neste momento. E isto não significa que nunca tenha recorrido a nada do anteriormente mencionado (quem nunca, hum??). Simplesmente já aborrecem a quantidade de frases feitas sobre aprendermos a estar gratos pelo que temos, sobre sabermos apreciar o presente (aprendendo com o passado e olhando para o futuro!!), sobre a pegada que temos que deixar no mundo, sobre o quão feliz devemos saber estar, sobre quais os melhores truques ou as 10 melhores ideias para sermos mais agradecidos e mais satisfeitos.
Infelizmente parece-me que não há soluções mágicas para atingirmos determinado objetivo pessoal ou profissional. Até podemos colecionar um manual de frases bonitas mas, se não nos conhecermos plenamente, não vamos conseguir ‘praticar’ a vida tal e qual como ela é. Podemos até repetir-nos vários mantras e tentar implementar algumas mudanças (o que não é necessariamente mau) mas o mais importante é viver a vida. Simplesmente. Como ela é. Com as coisas boas e más. Com os seus altos e baixos. Porque a vida tem que ser saboreada ao nosso ritmo. Costumo dizer que nestes temas, as coisas funcionam como nas dietas, isto é, a dieta que faz sentido e é equilibrada para mim pode não servir à pessoa A, B ou C. Porque cada pessoa é diferente e tem, por isso, necessidades também elas diferentes. E os caminhos e as escolhas que se fazem vão assim permitindo viver e saborear a vida.
No trabalho tentamos compreender e aceitar algumas coisas que (não) nos acontecem através da ajuda de frases bonitas. Sempre na expectativa que alguma coisa em nós mude. Na nossa vida particular, o mesmo acontece. Se andamos na busca incessante da felicidade ou se ainda não encontrámos aquela pessoa especial ou se ainda não nos aceitámos tal e qual como somos (nas nossas características físicas e psicológicas) tentamos encontrar resposta e, muitas vezes, até alguma espécie de apoio nos chavões que lemos e com os quais nos identificamos. Acredito que possa fazer sentido existirem mas confesso que tenho cada vez menos paciência para os ler ou ouvir. Naquele discurso meio melo dramático pontuado com frases do género: ‘vive o agora’, ‘aceita-te como és’, ‘sê grata pelo que tens’ e por aí fora. A vida, com tudo o que nos reserva, é um constante exercício e como diz um sábio Professor ‘tudo (na vida) se resume a vivê-la’.
