E tu, tens coração?

Dizem que as crianças são sempre muito genuínas no que falam. Ontem, na instituição onde sou voluntária, uma menina de cerca de 18 meses perguntou-me inesperadamente: ‘Alexandra, tens coração?’. A pergunta desarmou-me mas lá lhe respondi que sim. Expliquei-lhe que ela também tinha e que era lá que guardávamos as coisas boas que nos acontecem e as pessoas que mais gostamos. Perante tal explicação perguntou-me se ela estava no meu coração. Respondi-lhe que sim e ela sorriu e abraçou-me. As crianças com a sua simplicidade de pensamento deixam-nos a nós adultos a pensar sobre coisas complexas como o amor, por exemplo.
Será que temos o coração no lado certo do peito? Será que guardamos lá dentro mais coisas do que seria desejável? Será que existem pessoas que o têm ‘avariado’? Será que muitos têm uma pedra no lugar do coração? Se me conhecem minimamente sabem que sou sempre a favor do amor e das emoções (tantas vezes em detrimento da razão!). Acho que o que nos diz o coração mais do que a cabeça é a emoção real, ou seja, é aquilo que sentimos genuinamente. E é por isso que as crianças são tão autênticas porque lhes saem as coisas de dentro, da voz do coração. Não racionalizam, não se inibem por preconceitos ou ideias pré concebidas, não têm demasiada bagagem que os condiciona no que dizem.
E acreditem que a beleza do amor está, quase sempre, na sua simplicidade. Como partilhava com o Sr. Tralhas esta semana, o amor é simples. É saber ser luz em dia de tempestade, é saber sorrir em dia de choro, é saber calar em dias ‘não’, é saber ser um abraço que é casa. O amor não se importa se és alto ou baixo, se és magro ou gordo, se és novo ou velho, se és branco ou às cores. Amor é simplicidade. Amor é ser singelo e genuíno. Amor é ter um coração assim. Como o da C. Cheio de coisas boas.
