Escapadela no Rio do Prado

Já aqui partilhei que gosto de fazer anos. É o meu dia especial. E, sendo especial gosto de fazer programas especiais também. Há anos em que me apetece mais agitação, jantaradas com amigos, pezinhos de dança e outros em que prefiro um programa mais tranquilo e recatado. Depende do mood. Este ano fiquei-me pela segunda opção e rumei na companhia do Sr. Tralhas ao Rio do Prado, um turismo rural a 4 km de Óbidos, que já há algum tempo queria ter experimentado.
O Rio do Prado não é propriamente uma novidade nesta matéria, uma vez que já está aberto desde 2012. Trata-se de um turismo ecológico, criativo e sustentável com cerca de 17 suites, integradas na natureza e envolvidas pela paisagem do centro litoral. Quando decidimos fazer esta escapadinha, a ideia era chegar durante a tarde e disfrutar ao máximo do espaço, uma vez que íamos ficar pouco tempo. E assim aconteceu. Chegámos a meio da tarde e decidimos ficar pela suite a aproveitar a sua lareira interior (também tem uma exterior no pátio da entrada). A suite é um espaço enorme com uma decoração muito orgânica em tons crus e neutros que se torna, na minha opinião, pouco acolhedora. Num local que se pretende que convide ao descanso e ao ócio tem, a meu ver, algumas falhas relevantes. O sofá é pequeno e desconfortável, a televisão funciona mal e tem poucas opções no caso de nos apetecer ficar por ali a ver um filme ou um qualquer programa de tv. O ipad que está no quarto acaba apenas por servir de decoração e a lareira não aquece o suficiente, pelo que tivemos que manter o ar condicionado a funcionar noite dentro. Acabámos por decidir jantar no restaurante do alojamento, o Maria Batata que, apesar de caro, tem opções deliciosas. Recomendo as batatas camponesas e a feijoada de polvo! Tivemos ainda direito a música ao vivo durante o jantar (neste caso, a música não incomodou, antes pelo contrário, serviu para dar ambiente!) com a performance de um simpático cantor e da sua guitarra.


O dia seguinte acrescentou um sabor mais amargo à experiência, pois na hora do banho não havia água quente, o que não é desculpável num local como este. O pequeno almoço é bom e variado mas não foi, de todo, o melhor que já experimentei em locais do género. O espaço exterior, apesar do período invernoso, pareceu-me um pouco descuidado. A estufa de ervas aromáticas que costuma receber eventos estava com um aspeto abandonado e nem a biblioteca que tem uma coleção enorme de livros pertencentes ao espólio da Fundação Calouste Gulbenkian salvou a honra do convento. Saímos com um sentimento agridoce desta escapadinha e com pouca vontade de regressar.
