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As Tralhas da Alex

11
Mar19

Leaving Neverland

Alex

 

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São assim quatro horas de documentário que dão que pensar. Cresci com as músicas de Michael Jackson e acho que é inegável a sua ‘star quality’ mas é preciso separar o artista da pessoa. Quando soube da existência do documentário fiquei com muita curiosidade em ver apesar de ter sido informada pelo Sr. Tralhas que o mesmo arrasava com a cantor, uma vez que incidia sobre o tema dos abusos sexuais, dos quais o artista já tinha sido acusado (e ilibado pelos tribunais) em 1993 e 2003. O que acontece neste documentário que podem ver na HBO Portugal é o relato da história de dois homens, Wade Robson e James Safechuck, que se cruzaram com a MJ durante a sua infância. Durante dois episódios, ambos explicam detalhadamente a sua relação com o Rei da Pop, como se conheceram, como se tornaram amigos, como começaram os alegados abusos sexuais e o porquê de só agora, dez anos depois da morte de MJ, terem vindo a público com uma versão diferente daquela que suportaram durante anos.

 

 

Wade Robson tinha cinco anos quando conheceu o seu ídolo ao vencer um concurso de dança na Austrália. Já Jimmy Safechuck, da Califórnia, não era fã da música mas contracenou com ele numa campanha publicitária da Pepsi quando tinha nove anos. A partir daí, os relatos de ambos cruzam-se em muitos pontos e as semelhanças são evidentes. Ambos descrevem um modus operandi idêntico. Michael Jackson criava uma relação de amizade com os miúdos mas também com as famílias, depois ia progressivamente separando as crianças dos pais e introduzia os atos sexuais como um segredo (mas uma coisa natural) entre este e as crianças. Fazia ainda questão de deixar claro que, caso fossem descobertos, a vida deles acabaria.

 

 

Leaving Neverland expõe apenas o lado das vítimas. O lado do acusado não está presente no documentário. Não há entrevistas da família ou dos advogados de Michael Jackson mas é difícil não acreditar nos relatos de Safechuck, atualmente com 41 anos, e Robson, de 36. Só agora que ambos foram pais é que o trauma destes homens assumiu contornos maiores e a suas fragilidades se manifestaram ao ponto de ser necessário aos dois falar e pedir ajuda especializada. Se é verdade ou não o que se passou entre MJ e estas crianças, só os próprios saberão mas, para mim, nada do que se passava era normal. Nem o facto de Michael Jackson andar sempre acompanhado de uma criança nem o facto dos pais destes miúdos permitirem um contacto tão próximo de uma criança com um homem adulto (praticamente desconhecido). Sempre ouvi dizer que temos que saber separar o homem da obra mas, neste caso em particular, ficou um bocadinho difícil. Acho que, durante os tempos, não vou conseguir ouvir as músicas do rei da pop. É isto.

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