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As Tralhas da Alex

04
Mar19

O escangalhanço do Conan

Alex

 

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A expressão ‘primeiro estranha-se depois entranha-se’ já é de todos conhecida e, na minha opinião, aplica-se muito bem a todo o sururu em torno de Telemóveis, a música que Portugal irá levar à Eurovisão em Telavive. Há quem deteste e há quem adore (eu adoro!!). No nosso país, já estamos habituados a que tudo o que é diferente é mau. E, infelizmente, a memória de muitos portugueses é curta. Há dois anos atrás quando a canção de Salvador Sobral ganhou o Festival da Canção lembro-me de um monte de críticas, que não era canção de festival, que parecia uma música de crianças, que não tinha força suficiente e mimimimi. Pois bem, era definitivamente diferente e venceu. Os velhos do Restelo continuam aí e, mais uma vez, cheios de argumentos para desfilar o seu ódio pela canção de Tiago Miranda aka Conan Osíris. Tudo é argumento desde a letra ao figurino.

 

Quando saíram as músicas a concurso para o Festival o Sr. Tralhas foi o primeiro lá em casa a antecipar esta vitória. Assim que me mostrou a música também lhe antevi o potencial. É diferente. Marca por isso. E, quer queiramos quer não, ainda não estamos preparados para aceitar o que é diferente (mesmo aqueles que não se acham preconceituosos!). No entanto, se olharmos bem ao histórico de vencedores da Eurovisão tem sido a diferença a impor-se no pódio. Em 2006, os Lordi, uma banda de hard rock e heavy metal finlandesa vencem a competição com o tema Hard Rock Hallelujah. Conchita Wurst, em 2014, cantor, compositor e drag queen austríaco igual. Quem não se recorda da mulher de barba, hum? Já o ano passado vimos a israelita Netta sagrar-se vencedora com a música Toy e aquela imagem peculiar entre uma Bjork e cantora pimba.

 

Quanto aos nossos Telemóveis, cada um tem, naturalmente, direito à sua opinião mas eu acho tudo muito bom. A letra, a cenografia, a maquilhagem e o guarda-roupa. A letra tem uma mensagem profunda encapotada de algo simples. Ora reparem: “Eu parti o telemóvel/A tentar ligar para o céu/Pa’saber se eu mato a saudade/Ou quem morre sou eu” ou ainda “E se a vida ligar/Se a vida mandar mensagem/Se ela não parar/E tu não tiveres coragem de atender/Tu já sabes o que vai acontecer”. A imagem utilizada através do telemóvel que nos permite contactar alguém que já não está entre nós e a ideia de dependência que temos destes objetos está muito bem conseguida. A mistura de sonoridade entre o fado, a música cigana e o tecno também me agrada muitíssimo. O figurino, quer do cantor quer do bailarino, merecem nota máxima. A mim, Conan parece-me genuíno, com um som único e um estilo próprio. E isso tem tanto de difícil como de corajoso. O que é diferente não é necessariamente mau. Portanto espero mesmo que, em Israel, Conan escangalhe os telemóveis todos!

 

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