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As Tralhas da Alex

20
Fev19

O perigo de uma história só

Alex

Por força do acaso, há uns dias, estava a ver uns vídeos do TED Talks e encontrei um muito interessante sobre a construção das nossas realidades baseadas numa única verdade, aquela que conhecemos como absoluta e certa. Sobretudo, quando somos crianças e estamos a formar a nossa personalidade, é muito perigosa esta visão única sobre um determinado tema ou pessoa. Muitas vezes, é assim que se criam estereótipos e damos por nós a ir do particular para o geral, ou seja, se um país em África é pobre e as pessoas passam mal então todos os africanos passam dificuldades. Por exemplo, se na nossa infância nos leem histórias de princesas então todas as histórias são de amor. Não acontece.

 

 

Onde quero com isto chegar é que, tal como dizia São Tomás de Aquino, ‘temo o homem de um livro só’. O facto de termos apenas a visão/opinião formatada em função de uma ideia única não nos ajuda a ter um entendimento macro de como funcionam verdadeiramente as coisas. Se apenas conhecemos aquela história ou realidade, então, para nós, ela é a correta. Temo estas pessoas. Seja no trabalho ou na vida pessoal. Por exemplo, no trabalho, conheci várias pessoas que estão na mesma empresa a trabalhar desde que terminaram os estudos. O que acontece nestes casos, ao contrário de mim que já mudei três vezes de empresa, é que o seu campo de visão tende a ser um pouco mais reduzido porque não têm ponto de comparação. Não se questionam sobre o porquê das coisas (e não é por mal, é mesmo porque aquela é a única realidade que conhecem!). Por exemplo, se o processo A é tratado de uma determinada forma para elas está correta. Tantas vezes nem se questionam se pode ser feito da forma B, C ou D. Quem já passou por várias realidades conhece várias histórias e, por isso, tem uma visão diferente. A mudança acrescenta-nos várias formas de pensar e fazer. E isso é muito positivo a meu ver pois acrescenta valor.

 

O mesmo se aplica na nossa vida pessoal. Assustam-me aqueles casais que casaram com a primeira e única namorada. E, não me interpretem mal, acho lindo e conheço até pessoas que são muito felizes assim. Mas, também conheço muitos casos em que, a dada altura, um dos membros do casal (ou às vezes, até ambos!) se começam a ressentir deste tipo de relacionamento. É por isso que acabamos por ver tantas pessoas que chegam aos 40 anos já com casamentos de uma década, com filhos, mas que chegam a ponto de rutura. Sentem falta de conhecer outras ‘histórias’. A vantagem de quem encontra o amor mais tarde é que já conheceu diferentes histórias, o que lhe permitiu ter uma ideia bem definida sobre o que quer e não quer. Sobre o que tolera e o que não tolera. Já viveram muitas coisas e é por isso que encaram o amor de uma maneira tão tranquila.

 

Nunca se permitam ficar por uma história apenas. É redutor e perigoso. Vivam muito. Conheçam o mundo. Conheçam culturas diferentes. Formas distintas de fazer, ser e estar. É isso que vos enriquece enquanto pessoas. Aproveitem ao máximo porque a vida passa assim, em menos de um fósforo.

 

 

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