Pedras d'El Rei


Pedras d’El Rei tem, para mim, um sabor especial. Foi lá que passei a maior parte das minhas férias de Verão. Como uma espécie de rotina instituída, todos os anos, em Julho, rumávamos a Sul. Como fui filha única até praticamente à adolescência, os primos faziam a vez dos irmãos e lá íamos nós ansiosos por aqueles dias. Ansiosos pelo comboio que nos levava à praia, ansiosos pelas bolas de Berlim do Sr. João (as sem creme continuam ainda hoje a ser as minhas preferidas!), ansiosos pela animação à noite no centro do aldeamento, ansiosos pelos gelados e gomas que íamos comprar ao café, ansiosos pelos mergulhos da tarde na piscina, ansiosos pelos passeios em Tavira.
Foi assim que cresci ali. Verão após Verão. Pedras guarda, sem dúvida, as minhas melhores recordações de férias. Pedras viu-me feliz mas também foi refúgio em momentos menos bons. Pedras viu-me ser criança, adolescente e adulta. Em Pedras, sou feliz. Nas caminhadas no percurso pedonal para a praia (de onde vejo o comboio em constante azáfama de passageiros), nas corridas de fim de tarde até Tavira, nas bolas da Praia do Barril, no Polvo de Santa Luzia, nos gelados de Tavira, nas idas ao supermercado para comprar pão fresco para o pequeno almoço tomado sem pressas, na tranquilidade dos relvados a perder de vista.
Voltei de Pedras há uns dias e sinto que podia ter lá ficado meses. É bom poder voltar aos sítios onde fomos e somos felizes. Pedras está igual. E é isso que faz daquele espaço um local tão encantador. Onde o branco das casas contrasta com o verde intenso dos longos relvados. Ali o tempo é irrelevante. Sabe a férias e a paz de espírito. Sabe a mergulhos no mar e a beijos salgados. Que bom que foi podê-lo ter partilhado contigo.

