Sobre preparar

Na semana passada ao ouvir uma entrevista na rádio que correu menos bem fiquei a pensar em como muitas vezes descuidamos a preparação de um encontro. O mesmo se aplica a uma reunião com um cliente, a uma entrevista de trabalho ou a um primeiro encontro amoroso. Acredito que um bom trabalho de casa fará toda a diferença no resultado final. Esta preparação é, no entanto, exigente. Uma exigência de tempo e cuidado, onde invariavelmente, demora tantas vezes mais a preparação do que o encontro em si. Numa primeira fase parece-me fundamental fazer um bom diagnóstico. Só com uma boa identificação da situação poderemos fazer um bom trabalho. É importante saber quem é o nosso interlocutor, como se comporta, o que gosta, quais são os seus ‘triggers’ e principais motivações, quais as suas necessidades reais. É importante investigar, por exemplo, no caso de uma entrevista qual o estilo de condução da mesma, que perguntas irá o nosso interlocutor fazer, quem é a pessoa que está do outo lado.
A preparação exige também da nossa parte um conhecimento sólido do produto. Sem este conhecimento profundo do que estamos a ‘vender’ não teremos tanto sucesso na hora de fechar negócio. Isto torna-se tão mais importante na hora de conseguirmos saber dar resposta às objeções que possam chegar. Saber qual é o nosso posicionamento, saber onde queremos chegar e que mercados queremos atingir também faz parte das condições básicas de uma boa preparação. É preciso ser cirúrgico, assertivo e eficaz e muito disto se consegue com uma estratégia bem clara e definida, ou seja, sabermos exatamente qual é o caminho necessário para atingirmos determinada meta.
Todo o trabalho de preparação é-nos útil em muitas matérias no nosso dia-a-dia. No meu caso, sempre fui muito cuidadosa neste capítulo e, a maior parte das vezes, tenho-me saído bem. Não significa que em algumas situações não possa ter sido surpreendida com alguma coisa que não previ mas por norma preparo um bom dossier e estudo-o o melhor que posso. Se vou para uma entrevista de trabalho, por exemplo, procuro conhecer bem a organização e o interlocutor/entrevistador. Se tenho uma reunião com um cliente, tento ao máximo fazer um bom diagnóstico do mesmo (que muitas vezes passa por questionar, extraindo daí a máxima informação possível) ou ainda se tenho um primeiro ‘date’ não há nada como um passeio pelas redes sociais do dito cujo para me dizer bastante sobre o tipo de pessoa com quem me vou encontrar. Acredito mesmo que uma boa preparação não tem segredos, apenas trabalho. E é isto que, contas feitas, poderá fazer a diferença no resultado final.
